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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Entrevista a Pedro Barny

Após um breve período de interregno, regressamos com mais uma entrevista. Agora com Pedro Barny que, para além, da carreira relevante que teve enquanto jogador, surge como um treinador com grande potencial.
Ao Pedro, agradecemos a sua disponibilidade, desejando todo o sucesso possível!
1.O Pedro Barny é um dos jogadores com mais jogos disputados no principal campeonato português. Olhando para trás, arrepende-se de alguma decisão ou sente-se realizado pela sua carreira?
Todas as decisões que tomei tiveram em conta o contexto em que se produziram. Algumas que porventura não tiveram o efeito desejado, foram tomadas em consciência, por isso não me arrependo de nenhuma delas!
2.Teve uma passagem fugaz pelo Sporting. Como foi esse período e porque decidiu regressar ao Boavista?
A oportunidade de ir para o Sporting surgiu naturalmente face ao percurso até aí, e assinei por 3 anos!! No fim do primeiro ano, no âmbito da transferência dos 2 guarda-redes do Boavista para o Sporting, o meu nome surgiu por exigência do Manuel José, treinador do Boavista, envolvido no negócio. Talvez essa tenha sido uma das minhas más decisões, porque tinha custado muito chegar a um grande clube e aceitei sair envolvido nesse negócio. Tinha sido dos jogadores mais utilizados, e tinha o meu espaço já bem definido, mas não gostei de ver o meu nome envolvido no negócio! Hoje entendo que a prioridade era a contratação dos guarda-redes mesmo tendo de abdicar do meu concurso. Na altura decidi sair!

3.Das 15 épocas que esteve no futebol profissional enquanto jogador, mais de metade foram passadas com as cores do Boavista. O que significa para si aquele clube? Tem intenções de, uma forma ou de outra, poder vir a contribuir para que se reerga?

Significa muito, pois foi o clube onde comecei com 13 anos, e que também era o meu clube, que também era do meu pai, e no qual o meu avô tinha jogado como profissional! Neste momento, o meu pensamento está concentrado na minha carreira...e com muita mágoa minha mantenho um diferendo em tribunal com o clube!
4.Apesar de ser expectável que todas as equipas do principal escalão da próxima época sejam orientadas por treinadores portugueses, a verdade é que muitos ainda necessitam de emigrar para poder provar o seu valor. É consequência de falta de oportunidades ou de abundância de qualidade?
Creio que os dois fatores podem ser invocados! A qualidade da formação dos treinadores portugueses aumentou, e isso reflete-se na qualidade do trabalho!! O número de clubes não é suficiente para o número de treinadores com qualidade, por isso alguns têm que buscar o seu espaço fora do país!
5.Apesar de uma carreira sólida a nível interno e de por sete vezes ter sido internacional sub-21, nunca teve a possibilidade de se estrear pela Seleção A. O que faltou na sua opinião?
Talvez tivesse faltado a seleção ter sido orientada por treinadores diferentes. Provavelmente se alguns dos treinadores que me orientaram nos clubes tivessem achegado à seleção, poderia ter acabado a carreira com algumas internacionalizações no currículo.
6. Foi adjunto de João Alves. Hoje pertence à equipa técnica de Manuel José. Adapta as suas ideias às ideias do seu líder ou mantém a sua filosofia independentemente do seu superior hierárquico?
Tenho, com certeza, as minhas ideias em relação ao processo de treino e às opções a tomar, mas sou completamente solidário em relação à decisão final! No entanto, nunca deixo de juntar a minha opinião para que o chefe de equipa, possa ter mais dados para decidir melhor.
7.Em campo, enquanto jogador, destacava-se pela sua serenidade. Tenta transportar essa característica para o papel de treinador ou considera que este deve assumir uma personalidade mais fervorosa?
Cada pessoa tem o seu perfil, por isso cada treinador tem que ter o seu perfil! Não creio que alguém possa ter sucesso assumindo um papel que não é o dele! Um dia cai a "máscara"...e não sai com naturalidade!!!
8.Qual o melhor jogador com quem jogou? E qual o treinador que mais o marcou?
Foram tantos que seria injusto destacar algum, mas com certeza Figo, João Pinto, Balakov, Sanchez....e outros não tão mediáticos mas com potencialidades fora do vulgar!!! Em relação aos treinadores, fui orientado por muitos e de todos eles recolhi informação. De alguns, coisas muito boas...de outros coisas muito más!!
9.Pese embora a opinião que muitos portugueses possuem de Manuel José, os constantes sucessos que continua a obter parecem ser sinal evidente da sua qualidade. Como é trabalhar com ele?
Essa pergunta tem algo de subjetivo!!! Qual é a opinião que os portugueses têm dele??? Como se chegou a alguma conclusão? Pela lógica da pergunta parece querer dizer que a opinião não é boa, mas ele ganha!! Acho que 22 títulos, passagem por grandes clubes e os resultados também em clubes de média dimensão falam por si!! A minha relação com ele é extremamente simples, eu faço o meu trabalho com profissionalismo e ele faz o dele, o que resulta numa relação fantástica!!
10.Que principais diferenças observa entre os campeonatos africanos que já experimentou – angolano e egípcio – e o português?
Há muitas diferenças, a começar pela própria sociedade, pela cultura e mentalidade de cada povo. Os jogadores têm na generalidade boas condições naturais mas quase todos evidenciam lacunas ao nível da formação!! Outro problema é a organização dos campeonatos, com um poder muito grande das federações sobre os clubes, dando prioridade sempre ao trabalho da seleção nacional, o que provoca constantes alterações ao calendário competitivo!
11.Considera que Manuel José teve razão nas críticas que efetuou à seleção nacional ou não se revê nelas?
Acho que ele disse o que muita gente pensava, porque se assim não fosse não teriam sido tão mediatizadas!! De alguma forma, acho que até serviram para criar mais um fator de motivação para o grupo, apesar de terem sido completamente desvirtuadas a partir de um determinado momento...desde que os resultados começaram a surgir!!
12.Tem o curso de nível 4 de treinador e frequenta a Licenciatura de Gestão do Desporto no ISMAI. Ambiciona fazer parte da nova geração de treinadores e vir a estabelecer-se em definitivo como treinador principal?
Mais uma pergunta com muita subjetividade! Qual é a nova geração de treinadores? Há alguma velha? Que diferenças existem entre elas? O grau académico? Jesualdo Ferreira, Carlos Queirós, Vingada, Henrique Calisto, são da nova ou da velha geração??
Claro que vou ser treinador principal, aliás voltei a trabalhar como adjunto porque o convite para trabalhar com o Manuel José na seleção angolana era irrecusável na altura em que foi feito!! Treinava o Espinho e mesmo considerando que fiz um excelente trabalho, que estava a ter impacto no meio, naquele momento achei que seria a melhor solução aceitar o convite!
13.Nos últimos anos recebeu convites de equipas portuguesas?
Sim, recebi....mas como é evidente não o irei divulgar por questões éticas!! Há colegas de profissão a trabalhar nos clubes que me convidaram!
14.Enquanto português que tem vivido os últimos anos fora do país, que importância tem para si, blogues como o FutebolStorming que tentam deixar opinião sobre o que se passa em Portugal?
São sempre mais uma fonte de informação e de conhecimento sobre o que se passa no futebol em Portugal!! Quem está fora do país, é importante....devoro tudo que tenha a ver com o país!!
Para finalizar, quero desejar muito sucesso para o blog e para todos os que nele participam, direta ou indiretamente!!
E um grande abraço para todos os que trabalham no futebol em Portugal!!!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entrevista a Carlitos - 2ª Parte


Tal como prometido, deixamos agora a segunda parte da entrevista a Carlitos.
6) Podemos afirmar que passou pelo Benfica numa das piores fases do clube. Mesmo assim, é capaz de reconhecer a grandeza do clube? É, como todos dizem, o maior clube português?
Essa foi uma altura de mudanças. O clube estava numa fase muito complicada com Vale e Azevedo a presidente que mentia todos os dias. Eram muitos problemas e, além disso, a equipa era fraca. Apanhávamos todos por tabela. No fim da minha época foram embora 17 jogadores mas eu acabei por resistir porque ainda fiz um ano bom.
Mas não haja dúvida que é um grande clube. Os jogadores têm tudo, não falta nada! Os adeptos são apaixonados e, por vezes, era impossível ir para o campo de treinos já que eram milhares de pessoas que viam os treinos. Onde íamos éramos conhecidos e, por tudo isto, é realmente um Clube do top mundial. Tem todas as condições. Para dar um exemplo: cada jogador tinha a sua vitamina de acordo com a sua massa muscular, cada um tinha um massagista… É incrível! Aí sente-se que somos verdadeiros jogadores de futebol:)
7) O Real Madrid passou de sonho a pesadelo em pouco tempo. O que correu bem para chegar lá e o que falhou para fracassar?
Sempre foi um sonho. Depois realidade. Nunca pesadelo. Apenas não tenho espirito de emigrante e quis voltar ao fim de um ano.
8) Numa passagem pelo Vitória de Guimarães, deixou votos para um "Benfica Campeão". Tem uma costela Benfiquista?
Antes de ser benfiquista sou gilista mas tirando o Gil Vicente tenho não uma mas sim duas costelas de benfiquista.
9) Afirmou recentemente numa entrevista que tinha dois sonhos: abrir um restaurante e ser presidente do Gil Vicente. O seu restaurante, Turismo Lounge, é um sucesso inequívoco e uma referência. Como consegue um ex-jogador de futebol ter tanto sucesso na restauração?
Realmente tenho o sonho de ser presidente do Gil Vicente. E vou ser! Já no que diz respeito ao restaurante, o sucesso deve-se ao Jorginho e ao Chef Miguel Morgado. Sem eles o sucesso não era possível. Eu apenas tenho uma pequena parte:)
10) O que lhe faltou para dar o salto das camadas jovens das Seleções jovens para a Seleção A?
Fui internacional aos 19 anos o que foi um momento único. Estava a fazer uma grande época no Gil Vicente e o Jesualdo Ferreira chamou-me para ir jogar a Arménia. Foi um dia louco porque ligaram-me da federação para tirar o passaporte e, sinceramente, na altura pensei que fosse uma brincadeira. Acabei por chegar e ser logo titular. Ganhamos 3-2 com o segundo golo meu. Incrível…Estava a sonhar! Tinha colegas que na altura eram as vedetas: Dani, Beto, Bruno Caires, Nuno Gomes, Pedro Emanuel, entre outros. Cheguei aos sub-23 mas depois as lesões traíram-me.
11) Jogou com Robert Enke. Ele tinha um feitio diferente que pudesse prever a tragédia que aconteceu?
Tinha uma personalidade fria (típica de alemão) mas era um profissional até ao pequeno-almoço. Era, sem dúvida alguma, um Grande guarda-redes. O feitio dele era normal e jamais imaginamos o que aconteceu.
12) Alguma cara muito conhecida ligada ao futebol que possamos ver em breve no Turismo Lounge?
Já tivemos várias mas muito brevemente iremos ter um treinador que já foi meu no Benfica…José Mourinho. Não faltará muito.
13) Gostaríamos que fizesse aquele que é, para si, o melhor 11. Com uma particularidade: só pode ser constituído por jogadores com quem já jogou! Aceita o desafio?
Quim, Ezequias, João Pereira, Sereno, Geromel, Custódio, Maniche, Simão, Zahovic, Drulovic e Nuno Gomes.

Para terminar…  
Melhor treinador que já teve: Jupp Heynckes
Melhor e pior momento na carreira: Assinar pelo Benfica. Morte de Feher. 
Melhor colega de equipa com quem jogou: Formoso
Equipa mais difícil de bater: Porto 
Um sonho que ficou por cumprir: Seleção A
O melhor amigo que fez no futebol: Formoso
O melhor golo da sua carreira: Porto 

Mais uma vez, a equipa do FutebolStorming agradece ao Carlitos, desejando-lhe muito sucesso no seu futuro!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Entrevista a Carlitos - Parte I


A equipa do FutebolStorming agradece toda a disponibilidade demonstrada pelo Carlitos para a realização desta entrevista. Aqui fica um exemplo de como é possível continuar a ser bem-sucedido a nível profissional depois de terminar uma carreira futebolística já de si recheada de êxitos.
Parabéns Carlitos!

 1) Começa e termina a carreira no Gil Vicente. Que palavras lhe merecem este clube?
Foi o clube que me fez para o futebol. Estou muito agradecido por tudo que me deu. 
2) Consegue explicar o porquê do calvário de lesões que sempre o assolou?
 Foram situações inexplicáveis que se deveram, sobretudo, a desequilíbrios a nível muscular.
3) Karel Poborsky, foi uma sombra que o impediu de triunfar, ou um ídolo com quem aprendeu?
Foi um prazer ser companheiro de Karel Poborsky. Admirava-o como jogador e não considero que tenha sido uma sombra, antes pelo contrário. A partir da 3ª jornada comecei a jogar e alternávamos algumas vezes. As coisas começaram a correr-me muito bem que quando chegou o Mourinho não me tirou e meteu o Karel a jogar interior direito. Entretanto as coisas não estavam a sair-lhe bem (porque eu continuei a jogar) e ele em Dezembro pediu para ir embora.. E foi para titular da Lazio:)
4) Jupp Heynckes foi o treinador que o trouxe para o Benfica, clube onde teve 5 treinadores: Toni, Jesualdo, Camacho, Chalana, Heynckes e Mourinho. Que opinião guarda deles? Muito diferentes? A opinião que passou para a opinião pública é que Camacho era o que mais apostava em si. Concorda?
São todos treinadores diferentes, cada um com as suas ideias e os seus métodos. Jupp foi o treinador que me foi buscar e tinha tanta confiança em mim que à 3ª jornada me meteu a jogar a extremo esquerdo. Considero-o o meu melhor treinador de campo já que é profissional a 1000%. Em tudo! Passe, remate, receção de bola, cruzamentos! Treinador alemão, frio… Mas do melhor em termos de campo.
Toni era muito sentimental. Era um treinador amigo demais para ser grande treinador de um grande. Mas o que é certo foi campeão pelo Benfica. Mas os tempos mudaram e, hoje em dia, um treinador tem que ter pulso forte. Senão “morre”:)
Jesualdo igualmente bom treinador, bom em termos de ensinamentos a nível posicional. Bom amigo.
Chalana: ama o Benfica e isso prejudicou-o. Por curiosidade, relembro um pequeno episódio. A primeira palestra dele ficou marcada por uma expressão: “futebol é o momento! Pensam na canção Pedro Abrunhosa – O Momento:)” Era uma pessoa fantástica. Mesmo! É meu grande amigo… Aliás todos os treinadores são meus amigos, embora seja verdade que uns mais do que outros.
Camacho foi sem dúvida um Grande treinador. Um dos 3 treinadores que mais me marcou no futebol. Treinador com grande categoria mesmo e, sem dúvida, treinador de clube grande.
Mourinho: chegou com a sua personalidade que é reconhecida… Agressivo... Sem medo... “Quem trabalha e quem está melhor é que joga”, dizia ele. Para ele não havia nomes e referia “quem gosta gosta, quem não gosta que vá embora!”. Disse-o muitas vezes nas palestras. Lembro-me do intervalo de um jogo em que disse para mim e para o Miguel: “A jogarem assim, para a semana vocês são titulares!” O Sabry, que era a pérola do Egipto, e o Karel Poborsky não jogaram mais e assim aconteceu. Por sinal, o jogo que se seguia era o grande jogo com o Sporting que ganhamos 3-0 e a seguir ao qual ele foi embora...
Ninguém previa que este iria ser o GRANDE treinador, o melhor do mundo. Mas sentíamos que estava ali um possível treinador de top. O que o diferencia dos demais é como ele trabalha o psicológico dos jogadores. A emoção que dá, o incentivo de dizer constantemente o quanto somos bons. “Somos jogadores do Benfica e somos melhores que os outros”, dizia ele. A forma como ele trabalhava o psicológico é determinante e faz dele o melhor do mundo. Joguei com todos. Ainda assim, mais com o Mourinho do que com os outros…
5) Algum episódio em particular que nos queira contar?
Várias mas tive um jogo no Belenenses e o treinador era o Fernando Festas. Ao intervalo estamos a perder 3-0, ele desceu ao balneário e estivemos 5 minutos todos calados à espera que ele falasse. Começamos a olhar uns para os outros e quando ele levanta-se disse: “olhem para mim!” Tirou a placa de dentes da boca meteu no chão e partiu com o pé. E disse: “isto é a vontade que tenho de fazer a cada um de vocês!”
Subiu para o relvado e não disse mais nada… Conclusão, perdemos 4-0:)))

PS: Caros leitores, não percam a segunda parte da entrevista. Entre outros temas como Benfica, Real Madrid e Selecção, saberemos qual o onze que Carlitos escolhe como os melhores com quem jogou.
Ah, e novidades sobre o seu novo projeto profissional! Promete...

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Entrevista a Bernardino Pedroto - Parte II


10. A SUA IDA PARA O FUTEBOL ANGOLANO FOI UM DESEJO OU UM REFÚGIO? FOI PARA LÁ POR OPÇÃO, OU PORQUE NÃO TINHA PROJECTOS PARA ABRAÇAR EM PORTUGAL?
Por ventura, de tudo um pouco. Foi um desejo mas não um refúgio, a vida só pode ser vivida quando pode ser consciente, aqui talvez tenha percebido que o espaço de "manobra" em Portugal estava a ser...demasiado inacessível para as características da minha Personalidade e a minha forma de ver as coisas, que é literalmente diferente da maioria dos que dirigem os destinos dos seus clubes e o Futebol Português. Não que a minha seja a mais correcta, não é isso que pretendo dizer, apenas que....... é diferente, como todos nós o somos, diferentes. Penso que dá para perceber, não?
A vinda para Angola, foi uma, ou talvez a maior e mais dificil das decisões que tive na minha vida. Hoje, não estou nada arrependido, antes pelo contrário. Sou um Homem e um Profissional orgulhoso do meu trabalho e do contributo que ele tem manifestado para os treinadores e o povo Português. Quando nos encontramos nesta posição, imigrantes, somos "forçados" a ver as coisas de forma distinta e a não esquecer quem somos e quem representamos, com a máxima diplomacia que estes valores morais e éticos requerem. É o que tenho procurado fazer.

11.O JOGADOR ANGOLANO É, NÃO RARAS VEZES, ASSOCIADO A UMA CERTA INDISCIPLINA TÁCTICA QUE ACABA POR PREJUDICAR OS SEUS ASPECTOS POSITIVOS COMO A TÉCNICA E A PAIXÃO PELO JOGO. CONCORDA COM ESTA ANÁLISE?

Não é tanto assim. O enquadramento táctico individual e colectivo, é complicado para todos os jogadores do Mundo, não é exclusivo do jogador Angolano ou Africano, que por acaso alguns destes jogam ou evoluem, como quisermos, nas melhores equipas Mundiais. Os melhores neste capítulo, são os melhores do Mundo, são aqueles que jogam nos melhores clubes do Mundo.

Hoje, mais do que nunca, são raros os jogadores que associam os conteudos técnicos à intelegência para o jogo; os conteudos tácticos à velocidade do jogo; a velocidade à intelegência para o jogo, até à Personalidade necessária para as diversas exigências específicas que o jogo requer. Ou seja, jogar perante o público (estádios cheios; final da CL.; Final do Campeonato Mundial), ou enfrentar as críticas dos "media", dos seus treinadores e ou dirigentes.
Tudo não passa por uma questão de oportunidades. Se um Jogador Angolano tiver a oportunidade de conviver (treinar e jogar num bom clube em Angola ou num clube Europeu) de uma forma sistemática e sistematizada, com correctos processos de treino e estimulos adequados, e como referi atrás, junto às características pessoais que possuem, sobretudo fisicas e mentais, são, indiscutivelmente, pressupostos para se desenvolverem ao mais alto nível, tornarem-se em atletas de alto rendimento. Não tenho dúvidas quanto a isso. Trabalho e muita persistência, é o que se pede.

12. ANGOLA ESTEVE PRESENTE NO MUNDIAL EM 2006, TENDO NO SEU PLANTEL DA ALTURA JOGADORES QUE SE DESTACAVAM INTERNACIONALMENTE (ZÉ KALANGA, MANTORRAS, GILBERTO, FLÁVIO). ACHA QUE ACTUALMENTE EXISTEM JOGADORES ANGOLANOS CAPAZES DE FAZER OUTRO BRILHARETE IGUAL?

Acredito que sim. Embora tenhamos que reconhecer que as gerações de jogadores com excelência, são ciclicas e raras. Não há "Eusébio's"; "Péle's"; "Maradonas" ou Messis e Cristianos todos os dias. As excelências como disse, são raras, têm uma forma de lidar com o Mundo diferente de todos os outros, são críticos de si próprios, procuram constantemente a perfeição, possuem uma "veia" Artística (é o que eles são, Artistas.... do melhor) que é inata, pessoal e intransmissível. Por estes motivos, digamos, não é fácil, mas existem sim, jogadores que se poderão tornar os ídolos de agora, os alvos preferenciais dos que amam esta ciência e nela se revêm. Mas, e há sempre um mas, por vezes não está só nas mãos (pés) destes a possibilidade de chegar a um Mundial, é preciso, como refiro constantemente, um enquadramento competitivo, organizativo e profissional, que assegure o(s) caminho(s) correcto(s) para atingir esse fim. Melhorar as infraestruturas; condicionar as ingerências dos não classificados na organização e regulamentação dos quadros desportivos e seus regulamentos; administração de acções de formação de Técnicos Desportivos............. Enfim, uma abundância de projectos que devem sair definitivamente das "gavetas" e colocados na práctica, sob pena de a ida ao Mundia na Alemanha (2006) se ter tornado num caso fortuito de felicidade abundante e não de um persistente trabalho e qualidades profissionais dos seus Técnicos, Jogadores e Dirigentes. Normalmente e infelizmente, é o que acontece. Acredito que Angola e todos os agentes desportivos envolvidos nestes projectos, estão a procurar encontrar estas e outras soluções adequadas para que os "Zé Kalangas", "Mantorras"; "Flávios" e Gilbertos, não acabem. Estão apenas a conviver com um periodo de "estágio" inevitável e quem sabe, fundamental passar para encontrar o caminho certo e com os riscos a eles inerentes.

13. SENDO NÓS ORIGINÁRIOS DE BARCELOS E TENDO O BERNARDINO PEDROTO DIRIGIDO O GIL VICENTE NAS ÉPOCAS DE 1995/1996 E 1996/1997, QUE RECORDAÇÕES GUARDA DESSE PERÍODO?

Os melhores. O "Gil" foi um clube exemplar para os meus objectivos profissionais. A qualidade Humana dos dirigentes que compunham a Direcção do Clube, como são os casos (que me desculpem os outros, que adorei conviver com eles) do Sr. Francisco Dias e do Sr. Mário Mano. Gente de uma qualidade humana e Profissional extraordinária. Bem Hajam. Não foram momentos brilhantes, mas foram nobres. O meu contrato foi interrompido com o Gil em 1996/ 1997, para muito desgosto meu, acreditem que nenhum Treinador, apesar de preparado para estas situações, nunca o está verdadeiramente. Lamentei bastante. Mas, a minha vida continuou e, hoje posso dizer-vos, vejam bem como são os sinais de amizade que é possível construir através do Futebol, que ainda mantenho contacto (uma vez por outra vamos almoçar) com os Srs, Francisco Silva e Mário Mano entre outros, o Sr. António Augusto, um crítico intransigente da minha pessoa mas muito sincero e frontal. Peço desculpa mas há outros cujos nomes agora não me vem à memória (para nomes sou uma lástima) mas que também fazem parte das memórias, boas naturalmente, que tenho da passagem pelo "Gil".
Boa sorte para o "Gil", que tudo lhes corra bem.

14.DIZER QUE O SEU PAI FOI O MOURINHO DO FUTEBOL PORTUGUÊS É UM ELOGIO PARA O SEU PAI OU PARA O MOURINHO?

Nós somos seres Imperfeitos. É evidente que essas imperfeições não devem ser vistas como anormalidades, a perfeição é que é anormal. Isso não invalida que procuremos o Aperfeiçomento Pessoal, que é, naturalmente, diferente. Um (José Maria Pedroto) e Outro (José Mourinho) enquadram-se perfeitamente nesta filosofia. São inquestionávelmente dois dos Melhores Treinadores do Mundo, os melhores em Portugal, cada um marcando gerações diferentes, mas iguais no melhor e no pior que cada um transportou ou transporta consigo. Dizer que o meu Pai foi O Zé Mourinho do Futebol Português, não é nem deixa de ser elogioso para um ou outro. São diferentes mas iguais. Nem um Melhor ou outro Pior. Ambos têm ou tiveram defeitos e virtudes. Perderam e ganharam. Riram e Choraram. Simplesmente, dizer: "Obrigado por tudo o que Fizeram (meu Pai) e estão fazer (Zé Mourinho) por nós, Futebol Português no geral e Treinadores no particular. Bem hajam.


15."GOSTARIA IMENSO DE TREINAR O FC PORTO, DIGO-O SEM RECEIO ALGUM. É UM CLUBE ORGANIZADÍSSIMO, EM QUE A ÚNICA COISA QUE UM TREINADOR TEM QUE SE PREOCUPAR, ASSIM COMO OS JOGADORES, É TREINAR, O RESTO ESTÁ TUDO ORGANIZADO. ALI, SÃO OS JOGADORES QUE TÊM O PROTAGONISMO MAIOR, SÃO ELES A PEÇA CHAVE DE TUDO O QUE ENVOLVE O FUTEBOL" (BERNARDINO PEDROTO, AGÊNCIA LUSA).


CONSIDERA QUE A ORGANIZAÇÃO DO FCPORTO É O GRANDE FACTOR QUE TEM LEVADO O CLUBE A DOMINAR O FUTEBOL PORTUGUÊS NOS ÚLTIMOS ANOS?
Não tenho duvidas nenhumas que a organização do FCP é, e foi um garante importantíssimo para o salto qualitativo que este clube teve nos ultimos 30 anos. E não só. Hoje tornou-se num modelo orgânico para muitos clubes de renome Mundial. Possuem Visionários mas não utópicos planos estratégicos. Partilham entre todos os que trabalham naquele clube, Resistências quanto a aceitar uma derrota. A alternativa à Vitória é inaceitável. Por isso acabaram por perceber o que é necessário para alcançar a(s) Vitória(s). Muito trabalho e muita dedicação.

Naquele Clube não dormem, descansam. Não há plano "B", só Vencer.


16.TENDO EM CONTA A SUA LONGA E PREENCHIDA CARREIRA, E O PRIVILÉGIO DE TER TIDO CONTACTO COM DIFERENTES GERAÇÕES QUE MARCARAM O NOSSO FUTEBOL, CONSEGUIRIA ELEGER UM ONZE IDEAL?

Não, de todo impossível. São tantos e tão bons que seria muito injusto fazê-lo. Por respeito, por ética e por ........necessidade emocional. Grandes jogadores que Portugal teve e tem. Separá-los dos e por pormenores, não me parece saudável. Gosto do meu País. Gosto do Futebol Português. Só não gosto o que de vez em quando fazem ao Futebol do Meu País.


Um grande abraço dos membros do FutebolStorming para o Mister e toda a sorte do mundo na sua carreira profissional. Que continue na onda das conquistas e a ensinar-nos com as suas sábias palavras!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Entrevista a Bernardino Pedroto - Parte I

Ponto prévio dos membros do FutebolStorming: Um obrigado e um reconhecimento ao Mister Bernardino Pedroto pela disponibilidade, frontalidade e humildade. Fica aqui um exemplo para muitos.

Que o sucesso continue a perdurar na sua carreira!

1.ESTÁ EM ANGOLA DESDE 2000, TENDO GANHO TUDO O QUE PODIA GANHAR INTERNAMENTE. CONTINUA A SER UM DESAFIO PARA SI TREINAR EM ANGOLA?
Um treinador quer sempre ganhar mais, mais e mais. O desejo de ser vencedor em qualquer competição onde estamos inseridos, faz parte da nossa natureza, ninguém se lembra dos que perdem, apenas daqueles que vencem, é assim que funciona a consciência das pessoas e as suas imperfeições. Assim, e em relação a esta questão, é realmente um facto que em Angola (desde o ano de 2000 - Jun) já ganhei todos os títulos internos (10 Títulos: 5 CN, 3 pelo ASA e 2 pelo Petro; 4 ST e uma TA, estes troféus foram no ASA) que há para conquistar mas continuo com estímulos muito elevados, porque cada troféu conquistado, envolve-nos um prazer e uma satisfação renovados. É o reconhecimento do nosso trabalho e, é a única solução que encontramos para dar significado ao trabalho que desenvolvemos.

Como é normal nestes casos, não posso deixar de incluir nesta ambição pessoal em que estou envolvido, ainda que moderadamente, como se impõe, a conquista de títulos internacionais: ganhar a Liga dos Campeões bem como outras competições Internacionais no Continente Africano. Mas, como se compreende, não são tarefas fáceis, existem razões de ordem organizativa e competitiva que neste momento são incompatíveis com a realidade Angolana. Os níveis de maturidade competitiva que estas competições exigem são, ainda, demasiado elevados para o Atleta Angolano. Existe ainda muito trabalho a realizar, na formação e a sua organização competitiva (calendarização de jogos; campos; formação de treinadores; etc.), bem como no quadro Profissional (os atletas não são profissionais, embora funcionem como tal: carga horária de treinos, etc.). Mas, reconhecidamente, devo dizer que existe um Potencial Humano extraordinário: têm uma paixão enorme pelo jogo; revelam uma generosidade incompatível no trabalho diário e, possuem uma inteireza e uma integridade invejável de valores morais… Enfim, são "argumentos" que deixam transparecer um futuro risonho.


2. NUM PAÍS ONDE VÁRIAS PESSOAS PENSAM OU CONHECEM ALGUÉM QUE PENSE, EM TRABALHAR EM ANGOLA (NO RAMO FUTEBOLÍSTICO E NÃO SÓ), O QUE É QUE NOS PODERIA DIZER ACERCA DO DIA-A-DIA DE UM TRABALHADOR PORTUGUÊS NESTE PAÍS?
Trabalhar aqui ou em Portugal ou na China, o processo é sempre o mesmo: "A mais fundamental das forças motivadoras do Homem, é o desejo de ser". Quando olhamos para o que fazemos desta forma, sem causar danos a ninguém, estamos a fazer as "coisas" bem feitas. A Paixão por aquilo que fazemos é fundamental. Sei que nem todos têm a possibilidade de ter um emprego que gostem e que gostem daquilo que fazem, é verdade, mas sem vontade, aqui ou noutro local qualquer, tudo se torna mais escuro e de dificil comtemplação, o desejo de ter prazer no que se faz, é essencial para todos. Fui suficientemente claro? Espero que sim.

3. O QUE É HOJE ENQUANTO TREINADOR, DEVE-SE A ALGUMA APRENDIZAGEM PARTICULAR QUE TEVE COM O GRANDE MESTRE DO FUTEBOL QUE FOI O SEU PAI?
A nossa vida é um acumular de experiências, feita de escolhas e tomadas de decisões que envolvem risco e às vezes conflitos...de ideias ou processos. O que sou hoje como Treinador, deve-se em muito à minha forma de encarar o Mundo, abrangendo a Lógica, a Ética, os Valores, e o Racionalismo que nelas se envolve, obrigando-nos a pensar pela própria cabeça, a ser muito exigentes connosco e com quem lideramos e, procurando sempre fazermos uma avaliação do noso trabalho e do que representamos para os que lideramos.
Bebi destes conhecimentos de muitos Treinadores que tive na minha carreira com jogador, entre muitos (Angelo Martins -"2.º Pai" e o meu 1.º Treinador; Jimmy Hagan - "O Rigoroso"; Fernando Cabrita "O Determinado"; Mário Wilson "O Filosofo" - bem haja grande capitão, por tudo o que fez por mim, muito reconhecido, acredite; Mário Caiado - "O Perfeccionista"; Manuel de Oliveira - "O Catedrático"; António Medeiros - "O Engenhoso"; Manuel José - "O Disciplinador"; Vitor Oliveira - "O C..... Competitivo"), o meu Pai, "O Mestre". Como se percebe, sou um pouco de todos, "SOU EU".

4.CONTINUA A ACOMPANHAR O FUTEBOL PORTUGUÊS? QUAL LHE PARECE SER A EQUIPA COM MAIS CAPACIDADES PARA SE SAGRAR CAMPEÃ ESTA ÉPOCA?
Seria de todo impensável que neste momento não sugerisse que o futuro Campeão Nacional vai ser o FC Porto. Agora... Mas como sabem o Futebol é composto por um conjunto de factores aleatórios, imprevisíveis, de forma que tudo pode vir a acontecer. Não era, isso sim, esperado que o início de Campeonato do Benfica e Sporting fosse, digamos, irregular e inconstante do ponto de vista exibicional. "Ajuda" que o FCP agradece. Mas como se costuma dizer: "Até ao Lavar dos Cestos é Vindima". Que nisto do Futebol, também se costuma dizer: "candeia que vai à frente..."


5.FAZ PARTE DA HISTÓRIA DO VITÓRIA DE GUIMARÃES QUER COMO JOGADOR (DURANTE 7 ÉPOCAS), QUER COMO TREINADOR (DURANTE 2 ÉPOCAS). O CLUBE É, DE FACTO, TÃO ESPECIAL COMO TRANSPARECE AO PÚBLICO EM GERAL?
O Vítória de Guimarães é indiscutivelmente especial. É o Clube da Cidade, de uma região, as pessoas amam o seu Clube. Existe uma Paixão que se torna por vezes inexplicável. Essa Paixão conduz a emoções e sensações inconscientemente valorizadas pelo positivo (quando se ganha) e pelo negativo (quando se perde). Mas é um simbolo para todos. As pessoas revêem-se no seu Clube. As imperfeições não são vistas como anormalidades, as pessoas são como são, têm coisas boas e coisas más. Mas como saber o que é bom? Se perguntar a um Vitoriano, ele responde: "É o Meu Vitória ganhar". Não é muito importante se o seu salário está em dia ou se ficou desempregado no dia anterior, isso são questões nada importantes comparadas com as emoções que o "Nosso" Vitória nos proporciona. O Vitória é assim. Ou se gosta........... Fui Muito Feliz no VSC. Se não me deu tudo.... quase. Valorizei-me em todos os aspectos, quer Humanos, quer Profissionais.

6.FOI CAMPEÃO NACIONAL COM O BENFICA NA ÉPOCA DE 1972/1973 COM UMA HISTÓRICA CAMINHADA ONDE O SALDO FOI DE 28 VITÓRIAS E APENAS 2 EMPATES. UM DOS SEUS COMPANHEIROS DESTACAVA-SE DOS DEMAIS – EUSÉBIO. ERA, DE FACTO, UM FORA-DE-SÉRIE?
Eusébio......... meu Deus, se era um fora de série? Em tudo. Como Homem (ainda hoje somos amigos) e como Jogador, um Deus na Terra. Uma pergunta tão difícil, merece apenas uma resposta simples e objectiva como esta, desculpem, era assim que ele via o jogo e vê a vida, com imensa integridade


7."É DIFÍCIL EM PORTUGAL DAR A UM TREINADOR COMO O JORGE (JESUS) UMA OPORTUNIDADE. ESTE SERÁ UM EXEMPLO DAQUILO QUE MUITOS TREINADORES DA SUA GERAÇÃO, COMO É O MEU CASO, PODEM DAR AOS CLUBES PORTUGUESES". (BERNARDINO PEDROTO NA RTP EM OUTUBRO DE 2009).

COM TODO O SUCESSO QUE TEM OBTIDO EM ANGOLA HÁ MAIS DE UMA DÉCADA, SENTE QUE EM PORTUGAL NÃO LHE DÃO O DEVIDO VALOR?
Como vos disse atrás, Eu vejo as coisas de forma diferente, não que seja a melhor...é a minha, desenquadrada com o momento? Talvez. Mas, seguramente vos posso dizer que, se tivesse ou me fosse concedida a oportunidade de trabalhar de novo em Portugal, não hesitaria. Contudo, e pela experiência acumulada ao longo da minha carreira, percebendo que devo ser suficientemente liberal para considerar todas as opções, não deixarei ao mesmo tempo de ser suficientemente cauteloso para escolher aquela que estará certa para mim. Não quero pagar um preço a que já fui sujeito, tenho esse direito. O de escolher o que me for mais conveniente. Para encontrar o meu caminho, fui intolerante e crítico comigo próprio, fui exaustivamente incansável na procura do conhecimento, estudei e estudo muito o futebol, penso e executo pela minha cabeça, procuro ser eficaz e influenciar aqueles que me seguem, preparei-me toda a vida para estar pronto para quando o momento chegar. E acreditem que quando chegar, ESTOU PRONTO!!!!.
Procuro sempre ser o mais verdadeiro, até mesmo quando dói; o mais íntegro; o mais autêntico, não fingir ser algo que não sou por conveniência de outros (subserviência); imponho disciplina a mim próprio.
Estas são as características que imponho ao meu trabalho e aqueles que Lidero, sabendo que em colectivo, "Tu consegues fazer aquilo que eu não consigo, Eu faço aquilo que Tu não consegues fazer, Juntos Faremos Grandes Coisas" (Madre Teresa de Calcutá). Nunca fui Pessoa de Ordenar, mas sim de convencer. Nunca fui Pessoa de Impor, sempre sugeri. Quando o dia chegar, se chegar, cá estarei. Mas como o velho ditado diz: "A casamentos e baptizados, só vão os convidados"
Ao Jorge Jesus, um Treinador da minha Geração, só lhe desejo a maior sorte do Mundo. Força Jorge.

8. JÁ REFERIU RECENTEMENTE QUE UM DOS SEUS OBJECTIVOS PASSA POR VOLTAR A TREINAR EM PORTUGAL. NÃO TEME QUE, ESTANDO PARA JÁ AS PORTAS PARA OS QUATRO GRANDES FECHADAS, NÃO SURJAM CONVITES SUFICIENTEMENTE ALICIANTES PARA SI A NÍVEL NACIONAL?
Como disse atrás, não penso única e exclusivamente em treinar um grande do futebol Português. Se fosse possível, tanto melhor mas, sobretudo um projecto válido, coerente com os meus princípios e a minha filosofia, ter a oportunidade de fazer a escolha certa será de entre outras coisas a mais importante. Saber qual a escolha certa não deixa de constituir um problema também, mas que me permita pensar por mim mesmo, onde encontre soluções e satisfação para os objectivos em causa. Defendo valores éticos muito importantes na minha vida, que desejo não haver nesta entrevista qualquer tipo de sinais que ven
ham a ferir susceptibilidades, sobretudo as dos meus colegas que neste momento estão a trabalhar nesses clubes... Estou apenas a entrar no campo da especulação, melhor...do racionalismo virtual.

9. HOJE TEM UMA VISÃO MAIS DISTANTE E AO MESMO TEMPO MAIS RACIONAL DO FUTEBOL PORTUGUÊS. COMO É QUE OS “ESTRANGEIROS” VÊM O NOSSO FUTEBOL?
Tirando algumas situações pontuais ("novela" Queiroz - uma vergonha para o futebol Português FPF.....), existe um grande respeito e reconhecimento por tudo o que tem sido realizado nestes últimos anos (10/ 12). Que esta mudança, Carlos/Paulo, tenha consequências positivas, não apenas dos resultados desportivos, mas também da necessidade analítica que este e outros casos vêm sugerido que se faça com a máxima urgência - uma verdadeira reflexão de toda a estrutura organizativa, nos planos práticos ou executivos, bem como nos estratégicos ou tácticos (não estou a falar da táctica de jogo, não). Nada mais.

Não percam amanhã a 2ª parte da entrevista onde é abordado o campeonato angolano, a estrutura de um clube português e a relação Mourinho/Pedroto! Entre muitas outras coisas...