terça-feira, 18 de maio de 2010

Jesualdo: Obrigado!

Penso que todos os adeptos de futebol devem agradecer a Jesualdo. Goste-se ou não, há algo que é inquestionável: o seu profissionalismo, as suas qualidades e os títulos.

Admiro imenso as pessoas que dizem que o Jesualdo apenas foi campeão porque tinha jogadores bons e perdeu o campeonato por demérito dele. Sejamos coerentes: não vamos pedir a um treinador que todos os anos monte uma equipa nova e que essa equipa seja campeã, ganhe a taça e a supertaça e chegue, pelo menos, aos oitavos da Champions.

Independentemente da cor clubísitica, penso que o Professor trouxe mais rigor, profissionalismo e alguma seriedade ao futebol português.

Escrevo sobre Jesualdo pois penso que o FCP (erradamente) não vai manter o treinador. Mais importante que discutir se Jesualdo tem condições para continuar ou não, importa discutir o futuro: se ele sair, alguém vislumbra alguma alternativa credível?

Para terminar apenas uma reflexão: se fizéssemos um ranking dos melhores treinadores portugueses, Mourinho seria o primeiro, Jorge Jesus talvez o segundo, e numa terceira linha apareceriam nomes como Jesualdo, Manuel José, Fernando Santos… Assim, qual o sentido de dispensar aquele que é dos melhores treinadores portugueses? Ou alguém acredita que um estrangeiro chegue cá e vença imediatamente? Eu tenho dúvidas…

Por tudo o que fez pelo futebol português, por ter contribuído para sermos melhores e por ter levado o nome do FCP e consequentemente o nome de Portugal bem longe, termino este texto como comecei: Obrigado Jesualdo!

PS: a última conferência de imprensa do Professor revela alguma desorientação e desnorte, naturais de quem vê a saída do FCP cada vez mais próxima, sem sentir qualquer apoio da administração do clube. Contudo, mesmo assim, deveria ter sabido manter a postura e não agir da forma como o fez. Ficou-lhe mal e, muitos guardarão aquela imagem como a verdadeira face do Professor, o que sabemos que não corresponde à verdade.

domingo, 16 de maio de 2010

Teimosia ou sabedoria?


O Mundial está à porta e com ele todas as ansiedades, expectativas e inevitáveis discussões em torno das convocatórias. Este grande evento futebolístico gera emoções únicas e faz renascer a paixão pelo nosso país. No fundo, trata-se de uma corrida entre vários países do mundo onde queremos que Portugal fique o mais à frente possível e contrarie a tendência negativa de outras áreas onde a nossa imagem para o exterior não é assim tão favorável.

Como tal, todos queremos que o nosso país se apresente na máxima força. Conjecturamos cenários e seleccionamos os nossos 23 magníficos que nos parecem os indicados. No meio desses, consideramos que existem sempre um conjunto deles que são demasiado óbvios para ser escolhidos. Nem sequer equacionamos a sua não inclusão!

Vem isto a propósito de uma série de decisões de seleccionadores que me deixaram muito confuso. Acredito piamente que esse cargo não é fácil porque se tem que conjugar diversos factores que, por vezes, ultrapassam a própria capacidade futebolística do jogador. Todavia, há casos que parece que só os seleccionadores é que compreendem.

Embora pudesse enunciar uma vasta lista de jogadores que têm sido mais que falados na comunicação social, existe um que, a meu ver, encontra-se no topo das situações incompreensíveis. Falo de Cambiasso: um dos médios defensivos mais completos do mundo, do qual nunca houve qualquer relato de indisciplina nos clubes por onde passou, bem pelo contrário. O seu profissionalismo (reflectido em cada jogo) foi sempre elogiado e foi sempre considerado pedra essencial na equipa dos seus diversos treinadores, tendo certamente lugar em qualquer selecção do mundo.

Das duas uma, ou os seleccionadores nacionais sabem coisas que mais ninguém sabe ou então procuram uma sede de protagonismo que não se coaduna com os interesses de uma nação. Como não consigo compreender enquanto mero adepto do futebol a não convocação de jogadores como Cambiasso, aposto na 2ª hipótese.

Num campeonato onde estão as melhores selecções deverão estar igualmente os melhores jogadores e é isso que cada seleccionador deverá procurar. Esperemos para ver quem tem razão…será teimosia ou sabedoria?!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Nova época novelística


Acabou o Campeonato Nacional e vem aí o fim da Taça de Portugal. Não fosse o Mundial estar aí à porta e já se sentiria o cheiro a férias no mundo do futebol. É chegada aquela altura em que os vencedores dizem que foram claramente os melhores enquanto rezam para que os seus melhores jogadores se mantenham no plantel e os vencidos arranjam pretextos (sejam eles válidos ou não) para justificar uma pior prestação esta época. Estes dizem que para o ano é que é, que de certeza que vem aí “sangue novo” para fazer o regresso aos tempos de glória.

Pessoalmente esta altura fascina-me, pois gosto de uma amena cavaqueira acerca de novas e possíveis contratações. Quando era mais novo, a primeira coisa que lia nos jornais de fim de época/ início da seguinte eram as tabelas que traziam as saídas e entradas de jogadores. Tentava perceber quais as ideias dos treinadores para a época seguinte, tentava arranjar justificações para saídas aparentemente injustificáveis. Tentava prever a época seguinte e arranjar maneira de demostrar que o meu clube ia ser claramente dominador.

O futebol é uma paixão que não pára e que leva a uma constante discussão. Toda a gente defende que as contratações do seu clube são as melhores, defende que se a época passada foi boa, a próxima será certamente melhor. Toda a gente gosta de se vangloriar perante os seus amigos e conhecidos ao mesmo tempo que exibe uma contratação de um jogador de classe internacional do seu clube. Tenta deitar abaixo qualquer grande contratação do adversário mas, secretamente, gostava de muitas vezes contar com o jogador em questão. Toda a gente gosta de pensar que vai partir na linha da frente para a próxima época.

Como em tudo, não tenho muita paciência para o exagero. Mas admito que até certo ponto gosto destas “novelas”. Apesar de ofuscada pela Mundial, esta temporada está aí a começar. Esperemos para ver como tudo se repete.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Jogadores Intemporais


O futebol é um desporto exigente fisicamente, no entanto mais importante que o físico será a inteligência e a técnica com que se joga. Nada é mais eficaz no futebol do que uma leitura de jogo rápida, do que um posicionamento inteligente, um remate colocadíssimo ou uma técnica de passe fantástica daquelas que nunca se esquece. São esses dotes que fazem determinados jogadores simplesmente brilhantes e intocáveis à medida que os anos passam.

Um dos verdadeiros exemplos é Javier Zanetti. O lateral experientíssimo de 36 anos é um dos jogadores sagrados para o onze da equipa de Mourinho, e a sua justificação claramente se observa em pleno relvado. A entrega e profissionalismo que Zanetti impõe no jogo acompanhados de um estilo de jogo composto não de uma vistosa técnica, mas de um posicionamento fantástico e de decisões maduras, racionais e eficazes, fazem com que este jogador mereça uma estátua.

Ainda envolvendo a equipa do Inter, lembramo-nos todos perfeitamente de Luís Figo, que nos últimos anos embora tenha apresentado um compreensível decréscimo de velocidade e capacidade de choque físico, nos maravilhava ainda com a sua capacidade de posse de bola, habilidade de ganhar no um para um e os seus inesquecíveis cruzamentos sempre com sabor a golo.

Viajando um bocadinho para Portugal, gostaria de destacar um jogador que me surpreendeu muito pela positiva nos seus últimos anos de jogador. Toda gente se recorda do impacto que Rui Costa teve aquando o seu regresso ao Benfica. Após a rescisão do contrato com o Ac Milan, o regresso do “Maestro” foi visto com desconfiança por alguns, mas estes logo ficaram convencidos quando Rui Costa protagonizava a sua meia distância sempre certeira e as suas assistências inteligentes e determinantes. A sua influência na máquina de jogo benfiquista foi de uma dimensão tão supreendente que ninguém no fim ficou com dúvidas que Rui Costa é um dos génios intemporais.

De seguida só o próprio nome nos faz fazer uma vénia. Ryan Giggs! O ala que fez toda a sua brilhante carreira apenas num único clube é todo ele uma história de compaixão clubística e personagem de forte destaque na história de toda uma geração da Premier League. Ainda não há muito tempo podíamos ainda todos observar as suas arrancadas fenomenais e os seus dribles fabulosos repletos de experiência. Embora mais recentemente se note a chama do Red Devil um pouco mais apagada, toda a sua utilidade que têm ainda em campo e a sua ainda disponibilidade para serviços internacionais pelo País de Gales mostram toda a sua intemporalidade.

Muitos mais jogadores poderia falar aqui. Poderia eventualmente falar de Verón, o médio fantástico de 35 anos cuja magia ainda sobrevive e que ainda vemos no lote de convocados da Argentina para o Mundial. Também poderia referir Francesco Totti cuja técnica faz ainda a Roma acreditar no Scudetto. Ou no igualmente italiano Di Natale, o avançado da Udinese que lidera largamente a lista de melhores marcadores em Itália aos 32 anos.

São todos exemplos que apenas demonstram que a inteligência e a experiência são atributos determinantes para a beleza do futebol e a sua intemporalidade.

domingo, 9 de maio de 2010

(Ir)Realismo Nacional

Há dias falava com um amigo sobre as reais possibilidades da selecção nacional no campeonato que se avizinha. Sendo, tradicionalmente, um povo lutador, sofredor e que se bate como ninguém contra as adversidades, somos simultaneamente uma nação sonhadora e que, muitas vezes, acaba por não ter os pés bem assentes na terra. Vem isto a propósito da necessidade de encarar o valor da nossa selecção tal como ela é.

Todos sabemos as campanhas notáveis que a selecção efectuou nos últimos anos. Imbuída num espírito nacionalista, de coragem, fé, união e (alguma) sorte à mistura, a selecção de todos nós conseguiu superar todas as expectativas e “obrigações” que tinha para com o povo português. Se todo este sucesso teve repercussões positivas, também não deixa de ser verdade que deixou uma responsabilidade enorme para a geração (de treinadores e jogadores) que sucederam a esta equipa. Mais do que isso, o adepto “comum” já não se contenta com uma “mera” passagem aos oitavos de final e, muitos de nós, deixaram de ter consciência de que os últimos 6 anos não são a regra, mas sim a excepção ao que a nossa história indica.

O sentimento geral que se criou no adepto nacional e que é suportada nos rankings recentemente anunciados é a de que equipas como Holanda, Itália, Alemanha, entre outras, são selecções ao nosso nível ou até inferiores. Não concordo (longe disso!). Já que temos o hábito de fazer a comparação posição a posição no campeonato português para determinarmos quem tem a melhor equipa, peço que façamos o mesmo exercício ao nível de selecções. Aí perceberemos que não podemos “exigir” que ganhemos a este tipo de selecções que possuem muito mais de meia dúzia de jogadores de categoria mundial.

Não digo que tenhamos que pensar pequeno, isso não! Já que criamos patamares de exigência em níveis mais elevados é preciso saber mantê-los. Mas isso não nos deve criar uma euforia desmedida, que nos faça perder a noção do que realmente valemos e podemos fazer. Temos um conjunto de jogadores médio/bom, alicerçado num dos melhores jogadores do mundo que pode fazer a diferença enquanto equipa e é isso que esperamos.

Apesar de não me deixar embalar por este pensamento sonhador e, por vezes, irrealista, não deixo de ser um adepto fervoroso que estará sempre ao lado da selecção de todos nós!

Que este “feeling” que parece servir de mote à participação portuguesa, inspire jogadores e equipa técnica para uma prestação condizente com o tamanho da alma do povo nacional! Boa sorte!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Balanço 2009 / 2010

Dizer que este campeonato terá um campeão justo, parece-me mais do que óbvio… Mas, e que balanço fazemos das individualidades que o constituem? Desde jornalistas, a árbitros, adeptos, futebolistas e treinadores… Assim, aqui fica o meu balanço (por tópicos…) da época que está a terminar:

Equipa do ano: Braga
Treinador do ano: Jorge Jesus
Jogador do ano: Falcão
Revelação do ano: Fábio Coentrão
Frase do ano: “Os quatro dedos, eram para sinalizar que a defesa se devia posicionar em linha”, JJ após o 4-1 contra o Nacional de Manuel Machado
Jornalista do ano: Sérgio Pereira e o seu espaço “Box-to-box”, no site maisfutebol
Fiasco do ano: Caicedo
Derrotado do ano: Sporting
Adeptos do ano: “Os guerreiros do Minho”
Desilusão do ano: Belenenses
Árbitro do ano: Pedro Proença

Gostaria de deixar uma palavra ao Olhanense de Jorge Costa que assegurou a manutenção praticando um futebol com alguma qualidade; uma palavra para André Villas Boas que é o típico produto fabricado pela imprensa – afinal, esteve a lutar para não descer de divisão; para o Domingos, menos arrogância, pois depressa se esquece que existiam troféus como Liga Europa, Taça Portugal e Taça da Liga (para os quais não jogou…); para Jorge Jesus, mais humildade e para Jesualdo Ferreira, um adeus que não deixa saudades: aparenta ser um bom profissional, um bom treinador e um bom mestre mas uma pessoa que não deve valer a pena conhecer…

Acabo dizendo que é lamentável o clima de ódio e crispação vivido no futebol e que por vezes se arrasta a outros sectores da sociedade. Enquanto cada um de nós não for capaz de notar mérito no adversário e demérito na sua própria equipa, analisando o futebol, em vez de analisar o clube, nunca seremos capazes de nos poder proclamar apaixonados pelo futebol como os adeptos da terra de sua majestade.

Somos apaixonados pelo clube, mesmo sendo tratados como animais selvagens que precisam de escolta policial para se comportarem decentemente dentro dum recinto desportivo onde qualquer ser racional não ousa levar as crianças: isto não é futebol!

terça-feira, 4 de maio de 2010

A Selecção de Todos Nós


Este será afinal o meu último post acerca do tema da Selecção Nacional. Tendo referido já aquelas dúvidas que me surgem na cabeça e que, muito provavelmente, também atormentam os leitores, venho desta forma fazer um apelo a todos. Discutam as possíveis escolhas do seleccionador até ao dia da convocatória. Pronto, até um ou dois dias após a convocatória ser conhecida. A partir daí não ponham em causa a qualidade e empenho dos escolhidos, façam-nos sentir apoiados e em condições de se prepararem com a maior tranquilidade possível. Façam-nos sentir uma equipa de todos Nós (o que até para eles pode ser difícil dado as suas personalidades e proveniências diversas).

A força de uma Selecção Nacional reside não só nos seus 23 ou 11 jogadores, mas no 12º jogador que eles sentem no seu país. O saudoso Euro 2004 foi disso o melhor exemplo, e neste Mundial, apesar de muito longe daqui, pode ser muito semelhante a isto. Os jogadores sabem e sentem o que se passa no seu país, têm acesso a todo o tipo de informação.

Por isso é esta a mensagem que aqui deixo, depois de contribuir para uma saudável discussão acerca da qualidade futebolística de alguns jogadores para que a nossa Selecção possa estar na máxima força: APOIEM INCONDICIONALMENTE A SELECÇÃO DE TODOS NÓS...