quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Algumas considerações





O clássico entre Porto e Benfica foi certamente emocionante. Na primeira parte, mostrou todas as caraterísticas que um jogo como este deveria ter: espetáculo, emoção, qualidade tática e individual e golos. Porém, na segunda parte a emoção resfriou e tudo de alguma forma voltou um pouco ao que infelizmente costuma ser: muitas paragens, quezílias e mais timidez nos momentos ofensivos.

O jogo também ficou marcado por alguns erros de arbitragem e critérios incompreensíveis adotados pelo árbitro, erros esses que foram bem destacados e que criaram fúria em Vítor Pereira e Pinto da Costa. Por entre as declarações proferidas, lançaram também algumas suspeitas quanto à possível manipulação na escolha dos árbitros por parte da Liga. Comportamento muito semelhante ao dos dirigentes benfiquistas nas declarações pós-jogo de anos anteriores. Neste aspeto só se poderá concluir que tanto os dirigentes do Benfica como os do Porto são exatamente iguais relativamente ao tratamento que dão a questões de arbitragem e lançamento de suspeições relativas a eventuais ações de corrupção. Ou seja, neste aspeto não há nobres nem vilões, são todos iguais.

A perspetiva que lanço aqui é muito clara. Quando o resultado de um jogo é totalmente justo e reflete apropriadamente a qualidade de jogo apresentada pelas duas equipas (e realmente assim foi na minha opinião), deveria ser totalmente imoral lançar suspeitas relativas a corrupção sobre arbitragem pelo bem do futebol e pelo bem da integridade e coerência das personalidades que o integram.

Mudando um pouco de foco, este fim de semana assistimos a um Sporting diferente com uma dinâmica que não se via há imenso tempo. Será muito cedo afirmar que são efeitos de Jesualdo, se bem que poderão ser indícios de mudança. No entanto, apesar de ter assumido a equipa de uma forma um pouco fora do ideal, Jesualdo poderá incorporar uma parcela importante daquilo que o Sporting precisa: alguém com grande bagagem em conhecimento e experiência, capacidade de liderança forte e uma reputação que lhe confere respeito. Restará saber se a estabilidade da direção leonina acompanhará adequadamente este processo de reabilitação.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

E agora?


Se é verdade que, por si só, o plantel do FCPorto se assume (propositadamente) como curto, também não será menos verdade a reflexão que Vítor Pereira estará agora a fazer sobre esta sua opção.
No passado fim-de-semana ganhou a maior das dores de cabeça que teve ao longo da presente época. O jogador que provoca mais desequilíbrios posicionais lesionou-se, ficando a equipa privada do talento e imaginação que, por sinal, são itens que não abundam na equipa. E agora, como resolver este problema? Não havendo Atsu, Iturbe e James sobra apenas Varela para a posição de extremo. Desconto aqui o efeito Izmaylov por ninguém saber muito bem o que esperar da sua condição física.
Olhando para a decisão do técnico no jogo contra o Nacional, bem como as opções que foi tomando ao longo da época, parece óbvia a escolha por Defour. Para além de ser um jogador com ritmo, garante consistência num setor onde o Benfica é extremamente forte.
No entanto, arrisco-me a dizer que esta não será a escolha do treinador portista. Passo a explicar porquê. A razão de fundo prende-se, a meu ver, pela vontade de não querer alterar de forma tão “radical” os processos de jogo já assimilados pela equipa ao longo dos anos. Pese embora Defour possa atuar pelo lado direito do meio-campo/ataque, não garante profundidade ao jogo – muito menos garante transições rápidas que farão parte do estilo de jogo portista no Domingo. Mais ainda, ter Maicon no banco parece-me um erro tendo em conta o seu potencial e o histórico das suas exibições contra os encarnados. Embora possa parecer um fato irrelevante, considero que estas questões são mais do que mera “superstição” na altura de escalar o onze.
Se a isto juntarmos o poder do ataque encarnado e a recente subida de forma de Gaitán, penso que Maicon será o jogador a substituir James. Certamente não sairá Mangala da equipa e, muito menos Otamendi. Por isso, a minha aposta vai para a presença de Maicon no lado direito da defesa portista, com Danilo a fazer de médio-ala direito.
Por incrível que possa parecer no papel, parece-me que esta seria uma decisão menos defensiva do que a opção por Defour em detrimento de James.
A ver vamos o que o grande clássico de Domingo nos reserva!
Abraço.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os clubes e os adeptos – uma relação estranha


A relação entre os clubes e os adeptos nem sempre é fácil de perceber.
Qual a vantagem de efetuar treinos à porta fechada? Qual a vantagem de não falar à imprensa? Qual a vantagem de não fazerem a antevisão dos jogos, no sentido de desprestigiar determinada competição, quando depois o mesmo clube apresenta o melhor 11 em campo?
Vem isto a propósito do excelente exemplo do FCP que abriu a porta do treino, como vem sendo hábito, no 1ª dia do ano. Resultado? 13 mil pessoas nas bancadas!
Como vantagens, vejo a enorme “publicidade” ao clube, o aproximar do clube aos adeptos e associados, a oportunidade de divulgação de imagem e venda de produtos do clube. Desvantagens? Vejo muito poucas ou quase nenhumas!
Não consigo perceber todas as atitudes que os clubes têm, cuja consequência final é um afastamento claro para com os adeptos.
Não falar a um órgão de comunicação social, decretar blackout, fechar as portas dos treinos, ler entrevistas do João Moutinho no jornal “O Jogo” ou ouvi-las no Porto Canal é a mesma coisa que ler entrevistas do Luís Filipe Vieira em “A Bola” ou na Benfica TV.
Importa lembrar aos clubes um facto muito importante: eles só existem enquanto existirem adeptos e associados!
Assim, deixo a pergunta: porquê a vontade em não estar perto do público que os alimenta?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Reflexão Natalícia





Agora que Fc Porto e Benfica já conhecem o “inimigo” a defrontar na próxima ronda das competições europeias será altura de aproveitar bem esta paragem de Natal para reflectir bem sobre os oponentes.

Após uma época em que começamos com um número muito satisfatório de equipas portuguesas nas competições europeias, as expectativas da presença portuguesa na Europa foram um pouco defraudadas tendo em conta o insucesso de algumas equipas em que depositamos algumas esperanças.

Portistas, cuidado com este Málaga! As excelente prestações na fase de grupos da Champions e na La Liga não são mero acaso. Existe toda uma forma bem rotinada e treinada que compõe a ciência que orquestra o ataque e também a defesa da equipa espanhola. Esta organização meticulosa misturada com jogadores de qualidade acima da média, contratados com base numa significativa fonte de financiamento provenientes de mais um abastado sheikh no futebol, forma uma máquina que chega a assustar.  A mistura da frescura de alguns prodígios como Isco com a vasta experiência de outros colegas como Saviola, Roque Santa Cruz, Toulalan e, claro, os portuguese Duda e Eliseu dão origem a um conjunto de grande respeito.

Já o Benfica também não terá tarefa fácil com um Leverkusen que neste momento ocupa o segundo lugar em frente ao impressionante Dortmund na Bundesliga. Com Kiessling e Schurrle como referências importantes ofensivas, e um talentoso Simon Rolfes no meio campo, vamos certamente esperar uma disciplina e organização tática muito desenvolvida e com travos de pragmatismo germânico. O Benfica encontra-se numa fase de bom futebol rápido e pressionante, no entanto será importante que saiba gerir todos os momentos de jogo, uma vez que qualquer descuido defensivo poderá ser letal perante a mentalidade impiedosa dos alemães.

Esperemos então que a nossa imagem na Europa seja de alguma forma “recuperada” pelas prestações do Porto e Benfica.

Em nome de toda a equipa do FutebolStorming, esperamos que o Natal dos nossos leitores tenha sido maravilhoso e desejamos uma excelente entrada neste novo ano que se avizinha, sempre, claro está, com bom e emocionante futebol a apimentar a nossa vida.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O autêntico navegador!


Esta podia ser a história épica de um homem que, contra tudo o que é expectável pela restante sociedade, acaba por vencer. Mas, na verdade não é. Ou, pelo menos, acho que não será.
Falo, obviamente, do caro Engº Godinho Lopes. Se é verdade que o Sporting já nos tem habituado a um conjunto de presidentes um tanto ou quanto particulares, a verdade é que o atual presidente continua-nos a surpreender diariamente. Ao contrário da gestão “presidencialista” que tanto apregoa, Godinho Lopes tem sido um verdadeiro navegador.
De fato, mais do que seguir um caminho estruturado por ele definido, parece assumir decisões que se suportam única e exclusivamente numa navegação à vista. Procura manter o barco ao sabor do vento e das marés, ao invés de o tentar segurar com toda a força com decisões fortes e incisivas. Se o Sporting começa a ter maus resultados, despede-se o treinador. Continua-se nos maus resultados, despede-se mais um. Não estão contentes? Ora inventa-se uma função no futebol em Portugal e contrata-se um manager!
Longe de mim pensar que a contratação de Jesualdo Ferreira se trata de uma má escolha – bem pelo contrário! Agora ser “treinador dos treinadores”? Das duas uma, ou quer fazer de todos nós parvo ao pensar que não está na cara que no final da época – se não antes – será Jesualdo o treinador -, ou esta é a prova viva que o “burro não sou eu”.
Expressões como “(Jesualdo) não vem única e exclusivamente para treinar…” atestam quem estará enganado.
Na verdade, os nossos antepassados mostram que caraterísticas como coragem, determinação e ousadia faziam parte do ADN dos navegadores. Mas reparem, insegurança e estupidez não estavam nesta lista…

PS: Ah, e a analogia com Inglaterra é de todo errada. Ora digam-me lá um manager de um clube inglês que tenha uma carreira de tantos anos como treinador e não esteja como treinador principal. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Mourinho: porque errar é humano, errar muito é special one





Após a derrota com o Celta de Vigo, José Mourinho afirmou que tinha errado na convocatória e nas escolhas. Afirmou inclusive que só os estúpidos não mudam de ideias, a propósito da não convocatória do jovem Morata e a convocação do mesmo no jogo imediatamente a seguir com o afastamento de Benzema por motivo de (suposta…) lesão.

É inegável olhar para o Real Madrid e perceber que os 11 que envergam a camisola não jogam enquanto equipa. Efectuando uma curta e leviana retrospetiva, facilmente recordamos facilmente Mourinho mais pelo que fez fora dos relvados do que dentro deles.

O recente episódio de subir ao relvado antes da equipa para receber os assobios alegando a proteção dos jogadores foi apenas um dos maus momentos em que, pelo seu comportamento, mostrou não estar à altura de um clube como o Real Madrid; chamar periodista de merda a um jornalista não é nobre; criticar abertamente o treinador da Castilla também não; o tratamento dado ao caso Kaka é deprimente; a forma como “obrigou” Valdano a sair é triste.

Ou seja, parece-me que Mourinho não tem sabido adaptar o seu comportamento - que assenta no conflito, na guerra e na agressividade linguística - à enorme história do clube que representa.

Acresce a tudo isto as guerras que Mourinho tem travado com os seus jogadores. Até há bem pouco tempo, as guerras serviam como motivação; neste momento essas guerras assumiram tal dimensão que terminam nos jornais com termos como bufos, fugas de informação e traidores.

Para agravar isto tudo, existem claramente no Real Madrid dois grupos: CR7 e os outros.

Após o empate com o Espanyol, Mourinho disse: “todos os jogadores estiveram mal, com exceção do CR7”. Compreende-se. Até eu gostava de levar CR7 comigo ou para o PSG ou para o Manchester City.

PS: associar o desnorte total de Mourinho ao Barcelona parece-me ridículo. O Barça joga num mundo à parte com um jogador claramente de outro mundo. Contudo, não foi por causa do Barça que o Real perdeu com o Celta, empatou com o Málaga ou perdeu no Getafe apresentando um futebol sofrível e deprimente.

PS1: quanto mais tarde Mourinho sair do Real, pior. Ontem era tarde. Porque neste momento só a cláusula de rescisão impede Florentino Pérez de lhe por uns patins. Afinal, se Mourinho for eliminado na Champions, o que vai ficar a fazer no Real até ao final da época?