domingo, 31 de janeiro de 2010

Futebol Total – Harmonia no Futebol


Era 31 de Maio de 1972 quando se virou uma página importante na história do futebol mundial. Em Roterdão jogava-se a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus (agora denominada Liga dos Campeões). De um lado tínhamos o Inter, equipa fortemente influenciada pelo futebol ultra defensivo e pragmático criado pela ideologia tornada famosa por Helenio Herrera, do outro era o Ajax cuja magia de Cruijff representava uma perspectiva completamente oposta do futebol. O Ajax vence de forma convincente por duas bolas a zero, dominando a maior parte do jogo. Deste choque de ideologias mostrou-se ao mundo uma nova forma de ver o futebol - O Futebol Total prevalece sobre o Catenaccio.

Nascido na Holanda pelas mãos de Jack Reynolds, mais tarde fortemente desenvolvida por Rinus Michels, o sucesso da implementação do Futebol Total numa equipa será talvez o expoente máximo de mecanização e trabalho de equipa de uma formação de futebol. O sistema consiste essencialmente na compensação de espaços, em que quando um jogador sai da sua posição que ocupa terá que ser imediatamente substituído por outro, mantendo assim a estrutura e coesão táctica da equipa. Para além disso, não existem propriamente funções de jogo exclusivamente atribuídas a cada jogador, ou seja, basicamente qualquer jogador poderá assumir a função de central, médio ou avançado. O futebol vai-se construindo a partir de princípios de manutenção de posse de bola, através de uma mobilidade total dos jogadores que previnem a sua previsibilidade e destroem a organização defensiva da equipa adversária. Assim, toda a habilidade futebolística, inteligência táctica e capacidade de adaptação do jogador são postos à prova.

No Futebol Total, todo o futebol é visto como trabalho de grupo e não individual, e toda a estrutura assenta em valores fundamentais tais como a entreajuda e a confiança que cada jogador deposita no colega, sendo desta forma extremamente importante a presença de um bom ambiente de balneário e um bom líder para unir a equipa.

Alguns exemplos desta ideologia postas em prática pela famosa Laranja Mecânica podem ser vistas no youtube:








Actualmente, o Futebol Total já não é usado de forma tão pura como foi usada pela escola holandesa nos anos 70, havendo já uma mistura de elementos desta técnica com outro tipo de princípios essencialmente virados para uma preocupação de cariz mais defensivo. No entanto as influências deixadas por esta corrente futebolística no estilo de jogo de equipas como Barcelona, Manchester United e Arsenal por exemplo, são notórias.




quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

FCP: o alvo a abater

E, de repente, o FCP tornou-se no alvo a abater. Porquê? Porque tinha uma hegemonia consolidada, porque dominava o futebol português, porque se encontrava a anos-luz de qualquer clube português em termos de liderança, organização, profissionalismo, gestão e sentido de responsabilidade.
Foi assim nos últimos dez anos: foram dez anos brilhantes para o FCP e inevitavelmente para o homem que conduz os seus destinos, Pinto da Costa (PC). Contudo, convém lembrar que foram anos que a Lei dizia que em caso de dúvida, se beneficiava sempre o FCP. Não quero tirar mérito à hegemonia do FCP, mas também não quero que se acredite que o sucesso desportivo era apenas consequência do que se passava dentro do terreno de jogo, e que palavras como “fruta”, “café com leite”, entre outras, foram inventadas e o PC é um coitado que está a ser vítima de uma enorme calúnia.

Pese embora tudo isto, quero dizer que da mesma forma que não concordei e me revoltava imenso a forma como o FCP era ajudado, levado ao colo, protegido e controlador, custa-me a entender a forma como hoje, todo o mundo quer prejudicar o FCP a todo o custo. Mais do que dentro do campo (foras de jogo mal tirados, decisões muito duvidosas, já que agora, a Lei, prejudica sempre o FCP), estão a tentar derrubar o FCP fora do campo, senão vejamos: as escutas do PC aparecem por acaso? Envergonha-me ouvi-las e saber o que lá é dito, mas envergonha-me ainda mais saber que todos os presidentes o fazem e só o PC é alvo de processos; a justiça desportiva iliba o PC no processo com Carolina Salgado, querem julgá-lo em praça pública? Agora, foi condenado a 3 meses de suspensão mais 1.500 euros de multa… O Pepe no Real Madrid, pontapeou de forma bárbara um jogador e apanhou 10 jogos de suspensão, enquanto o Hulk e o Sapunaru por terem feito algo que ninguém sabe muito bem o que foi, equaciona-se a possibilidade de serem suspensos por seis (!!!) meses?

Não é prejudicando o FCP nem beneficiando-o descaradamente, ajudando-o a conquistar títulos como no passado, que o futebol português evolui.

Será possível pedir rigor, isenção, justiça mas sobretudo, transparência, para que daqui por 10 anos, se possa afirmar que determinado clube dominou o futebol português sem influências e sem ajudas externas ao terreno de jogo? Quero acreditar que sim, para bem de todos, e sobretudo, para que todos acreditemos que futebol é só e apenas o que se passa dentro das 4 linhas!

Assim, iremos também acreditar que café com leite e fruta, são apenas e só elementos indispensáveis a um pequeno-almoço saudável…

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

São os “bufos” de Lisboa

Muitas vezes conotado como a “caixa forte” de uma equipa, o balneário costuma ser um local quase sagrado aos olhos de quem dirige. Dali não pode sair nada e livre-se de quem alguma vez se descair. Este é aliás um tema que todos nós gostamos de falar/especular mesmo que nada de relevante se conclua. Vem este meu post a propósito do recente episódio a que (tristemente) assistimos no Sporting. Afinal de contas como deve ser gerida esta área de uma equipa de futebol?

Fazendo uso do folclore habitual, a imprensa desportiva usa na perfeição esta temática para vender e criar polémica. Tornar público eventuais episódios, desavenças ou palestras, é estar a atingir o interior da equipa e isso pode ter consequências sérias no desempenho futuro. Acredito que grande parte do que sai cá para fora é mentira mas, o que é certo, é que há meios informativos que conseguem obter informação tão pormenorizada que me leva a concluir que alguma coisa de errado se passa. Serão os “bufos”?!

Se há coisa que sempre admirei no FCPorto foi a capacidade de gerir todos os temas de forma interna. Por mais delicados que eles sejam, por mais especulações que possam haver, o balneário do FCPorto funciona mesmo como uma caixa forte. A tal organização de que muitos falam parece começar pela forma hábil como é gerido o que se passa entre jogadores, equipa técnica e dirigentes. Por seu turno, o Benfica tem a meu ver conseguido normalizar esta situação, embora que de forma intermitente. José Veiga primeiro e Rui Costa mais recentemente, têm conseguido devolver uma certa estabilidade que não deve ser fácil, dado todo o destaque que é dado ao clube.

Finalmente o Sporting. Embora muitas vezes tenha sido vítima de notícias que visam claramente desestabilizar o clube, o Sporting tem sido a meu ver mais culpado que vítima. Tem-se tornado mais que evidente que a estrutura directiva leonina não está a conseguir manter o balneário blindado, existindo pessoas a falar depressa e demais. É muito estranho saber-se de forma tão “natural” e rápida tudo o que se passou entre quatro paredes onde (digo eu) só estariam jogadores, equipa técnica e alguns dirigentes. Não adianta estar a especular quem possa ser o “fala barato(?)” porque isso em nada contribui. Importa antes de mais olhar para dentro, perceber que medidas podem ser tomadas e ponderar muito bem cada passo que é dado no clube.

Por tudo isto começo a acreditar no que Paulo Bento defendia!

Eu não acredito em “bufos” mas que os há…

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Il Speciale ou The Special One ??


Na linha do último post, venho aqui levantar aos leitores uma outra questão: Terá Mourinho em Itália o esplendor de outros tempos?

Comecemos por analisar os factos. Falando a um nível mais pessoal, Itália é o país da "bella vita", é um país com glamour, charme, pessoas que gostam de vestir bem. Ou seja, um país fascinante para quem gosta de aproveitar a vida e uma vida de luxo. Tendo como vizinhos no Lago Como, exemplos como George Clooney, Mourinho, juntamente com a família, estará certamente a levar uma vida de sonho.

A um nível futebolístico, Itália sempre foi o maior desafio para um treinador. Itália é o país da táctica, o país onde se desenvolveu essa táctica matreira denominada Catenaccio. É o país do futebol calculista, dos 4-5-1 defensivos. Apesar disso, é o país campeão do mundo com jogadores a actuar quase todos no campeonato interno. Ou seja, todo a favor de mais uma etapa para Mourinho fazer aquilo que mais gosta: mostrar que é o melhor.

Mourinho chegou, viu e venceu. Pensando bem devo acrescentar as palavras "a nível interno". Mourinho ganhou o campeonato Italiano, mas na Champions teve das suas piores prestações.

É aqui que surge a minha questão... Terá Mourinho o esplendor de outros tempos? A suas últimas atitudes têm respondido a minha pergunta. Mourinho sente falta de Inglaterra. A impressa Italiana é agressiva mas a Mourinho não lhe dá tanto gozo confronta-la como à imprensa inglesa. Mourinho também não tem um plantel como os das equipas inglesas e o dinheiro para contratações também não abunda. Ele próprio sabe que Inglaterra é o seu habitat natural...

Não está aqui em causa a capacidade de Mourinho como treinador e de se relacionar com os seus jogadores, que toda a gente sabe que é única no mundo. Trata-se da maneira como Mourinho vive o futebol.
Mourinho vai regressar a Inglaterra. Só falta saber se com escala em Espanha, pois é sabido que Mourinho quer ser rei nos três maiores campeonatos europeus...

sábado, 23 de janeiro de 2010

Mago ou Mito?

Outrora havia um mago de futebol de enormes poderes. Os seus dribles aterrorizavam qualquer oponente, os seus remates e cruzamentos assumiam muitas vezes uma forma bela e peculiar, mas incrivelmente eficientes. Mas mais do que isso a sua imprevisibilidade e irreverência transformavam o relvado num palco de magia, daquela magia que nos atrai e que prende a nossa atenção de forma quase infantil, fazendo-nos ansiar por um novo truque, um novo feitiço.

Fora dos palcos, revelava uma imagem tímida e tranquilamente pacata, dentro deles, exprimia-se verdadeiramente como um espírito livre, sem regras, espalhando o terror nas equipas adversárias. Porém, por vezes a magia tornava-se ausente, e muitos afirmavam que afinal tudo não passava de uma ilusão, de uma alucinação e de repente todo o futebol voltava ao normal, pairando a desconfiança que afinal era tudo senão um mito. Mas de repente a magia voltava, os dribles fabulosos, os passes geniais e os seus remates e cruzamentos inconfundíveis surgiam eficientemente belos. Afinal era verdade, havia ali qualquer coisa de diferente que o mundo inteiro precisava de saber…

Ambicioso, o mago decidiu viajar para outras paragens, experimentar novos públicos e novas experiências. Mas rapidamente descobriu que nem todos os palcos são iguais, e que a sua magia afinal não é eficiente em todo o lado. Por incrível que pareça, o agitar da sua varinha resultava apenas num escasso fumo vazio que desiludia tristemente o público sedento no meio de enormes expectativas. Aterrorizado, também descobre que afinal toda a sua magia afinal não aparecia inexplicavelmente, mas era antes movida e criada por uma força que escasseava cada vez mais dentro de si, no acreditar em si próprio. Todo o seu poder adormeceu gradualmente e quase como acorrentado foi-se perdendo naquelas terras agrestes e longínquas, que decididamente não era o seu habitat natural.

O tempo passa, e a tua magia teima em não regressar. Mas no entanto nas memórias ficam golos fantásticos, jogadas fabulosas e uma criatividade única que o teu público não esquece. Paira a crença que um dia a tua força voltará e regressará imponente mostrando a tudo e todos a tua verdadeira natureza e nesse momento voltarás ser um espírito livre.
Não passará de um mito?Penso que não…

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Vitória de Guimarães – uma religião!

Falar do Vitória, é falar de um povo que sabe estar na vida de forma única, de um povo que vive o futebol como se fosse a sua família, a sua casa. Costumo dizer que ser Vitoriano é pertencer a uma religião e não é Vitoriano quem quer: é preciso senti-lo.

Não aprecio certos comportamentos que alguns adeptos do Vitória têm mas, de uma forma geral, aprecio e invejo a forma como apoiam a equipa, como empurram a equipa para a frente e a forma como só eles conseguem transmitir aquele sentimento nobre de gostar do clube porque é o “nosso” clube, como eles tão orgulhosamente dizem…

Pessoalmente, conheço muitos Vitorianos e, só falando com eles sobre o clube , vendo o brilho deles nos olhos, sentindo a emoção deles ao recordar determinado encontro, o orgulho que sentem ao exibir o cartão de sócio, conseguimos ter um pouco a noção do que é afinal ser Vitoriano. Na minha modesta opinião, são a melhor e mais verdadeira (em termos de sentimentos) massa associativa em Portugal! (peço desculpa a todos os adeptos, inclusive os adeptos dos não sei quantos milhões, que se dizem o maior clube de Portugal e arredores mas, sejamos unânimes: não há povo como o Vitoriano).

Outro aspecto que me faz inveja (sim, confesso, às vezes gostava de saber o que é ser Vitoriano!) é a forma contagiante como quem trabalha ou trabalhou lá sente o clube. O mais recente exemplo é Manuel Cajuda, alguém que fez um trabalho notável no clube. Apesar de ter saído do clube de uma forma algo turbulenta, ainda hoje demonstra um especial carinho por aquele clube nas entrevistas que dá. Aliás,tem orgulho em dizer que, tal como os Vitorianos entoam numa das músicas mais fantásticas que deles conheço (e que só faz sentido ser cantada por eles…), “aconteça o que acontecer, somos Vitória até morrer!”. Todos pensamos que estaria a fazer bluff mas, de facto, passado este tempo todo, o Vitória continua bem dentro dele e sobretudo não esquece o povo Vitoriano. Fala destes adeptos com um carinho e uma admiração únicas, com saudade, e com vontade de regressar um dia a uma casa onde alguém viveu o futebol de forma mais intensa do que ele.

PS: aproveito apenas para dizer que referi sempre Vitória pois sei que é assim que gostam de ser tratados. Sei que, uma vez, um membro da claque do Vitória ficou extremamente chateado quando o adjunto de Cajuda, numa conferência de imprensa, se referiu ao clube como “Guimarães”. Para eles o clube é o Vitória e não o Guimarães.
PS1: Pese embora o grande respeito que tenho por todos os leitores que nos seguem, não sintam ciúmes e inveja com este texto que é inteiramente dedicado aos Vitorianos. Apenas quero prestar a homenagem devida pela forma como vivem o clube.

Com todos os excessos e loucuras, admiro-vos assim!

Continuem, o Futebol precisa de vocês!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um clarão nas bancadas

Sou uma daquelas pessoas que considera que bons espectáculos estão intimamente ligados à presença de muitos adeptos. Só esporadicamente, um estádio praticamente vazio dá origem a jogos interessantes. Inversamente, estádios cheios conduzem a mais exigência para com os jogadores, mais vontade e motivação destes. A atmosfera é completamente distinta, é inevitável! Basta cada um de nós colocar-se nestes dois cenários distintos enquanto jogadores.

Considero que, atendendo aos recursos financeiros de que as equipas portuguesas dispõem, o nosso campeonato até tem uma qualidade razoável. Tem, inclusivamente, tido a capacidade de não só formar jogadores de topo, como também de trazer jogadores já consagrados. No entanto, um problema tem vindo a agravar-se: a mobilização de adeptos! Porquê?

Embora sejam vários os factores que contribuem para esta constatação, começo por um que me parece evidente: em Portugal gosta-se mais do clube do que propriamente de futebol! Sempre foi assim e sempre será! Dir-me-á o leitor que nos outros países acontece o mesmo. Sim, é verdade mas com uma diferença muito significativa: no nosso país são raros os adeptos que são da equipa local de forma fervorosa. Excepção feita a Braga, Guimarães e outrora o Salgueiros, Boavista e Farense, poucos são os clubes com capacidade para mobilizar adeptos locais em número significativo.

Igualmente decisivo para este cenário foi o advento da tecnologia. Hoje em dia, podemos assistir a um sem número de jogos sentados confortavelmente no sofá, pagando um determinado montante por mês. Talvez reflexo de uma sociedade cada vez mais conformista e preguiçosa, o que é certo é que acabamos por preferir esta opção. Nisso faço mea culpa.

Outro dos grandes problemas está (inevitavelmente) ligado ao preço dos bilhetes e nisto, não consigo deixar de responsabilizar as opções estratégicas dos clubes. Não compensará não só financeira como desportivamente colocar os bilhetes mais baratos, atraindo mais gente e possivelmente atingindo receitas superiores? Tenho quase a certeza que iriam aparecer mais rapidamente 20 pessoas dispostas a pagar 1€ do que uma a pagar 20€.

Muito mais haveria a dizer mas concluo com uma ideia comum: os adeptos são verdadeiramente o 12º jogador, são a razão de ser do futebol e o motor dos clubes, queira-se ou não. Transmitem a paixão do futebol, contagiam os intervenientes de um jogo e isso deve ser preservado. Não consigo identificar um único culpado para este vazio nos estádios, mas sim um conjunto deles: desde dirigentes à federação, passando inevitavelmente por nós, adeptos!

Deixo só este vídeo como recordação de bons velhos tempos: dois clubes de meio de tabela, jogo à tarde, famílias a ver o jogo, estádio cheio…emoção no relvado:)