terça-feira, 29 de junho de 2010

Espero que não muito a quente...


Desculpem-me os leitores começar da maneira que vou fazer. Mas tem de ser assim, não ficava bem comigo se não o fizesse, ficava com alguma coisa entalada cá dentro. Por isso , vou escrever uma parte deste post sem cuidado, dizendo tudo o que me vai na alma depois do que vi acontecer hoje na África do Sul durante e após a eliminação de Portugal frente à Espanha.

É verdade que me fazia fastio ver a grande maior parte dos portugueses criticar Cristiano Ronaldo e idolatrar Messi. Nenhum é inferior ao outro na globalidade, têm é particularidades diferentes. Nunca "mandei vir" com Ronaldo, sempre o defendi mesmo nas exibições menos conseguidas. Mas há limites... Ronaldo hoje ultrapassou em larga escala os limites da arrogância (não deve ter aprendido o hino nacional na escola), ultrapassou os limites do individualismo e perdeu a noção da responsabilidade que é ter uma braçadeira de capitão e ser o simbolo de um país. Dentro de campo Ronaldo não jogou nada, nem deixou os companheiros jogar muitas das vezes. Quis marcar todos os livres, mesmo não conseguindo colocar uma bola na área ou na baliza (excepto uma acho eu) e tem a distinta lata de resolver adornar jogar quando Portugal estava a perder e precisa de futebol prático para rapidamente chegar ao golo. Achando isto pouco, ao saír do estádio sacode toda a água do capote e atira as culpas para o seleccionador. Muito digno daquela que é a nossa maior estrela... Como se não bastasse perder, tanto ele como Deco resolver ainda aumentar o "circo". Pronto, estou melhor depois destes desabafos...

Posto estas palavras duras, é altura de acalmar. Falando do jogo, tiro o chapeu à maneira como Queiroz monta a equipa na primeira parte. Sólida a defender, recupera do um início a toda a velocidade da Espanha e bate-se de igual. A segunda parte começa igual, faltou só a estrelinha (ou quem sabe Nossa Senhora do Caravaggio). Queiroz tira Hugo Almeida, opção bastante discutivel a meu ver, pois o "Panzer" estava a fazer um belo jogo. Sofre o golo logo a seguir, fora de jogo que nenhuma repetição quis mostrar (mas as teorias da conspiração sobre ser vantajoso para a FIFA a Espanha seguir em frente ficam para depois) e começa o descalabro. Faltou a estaleca, o descernimento, o sangue frio e um Ronaldo (sim, nós precisamos dele) em condições para virar o resultado.

É tudo o que me apraz dizer neste momento, ainda estou a digerir a derrota. Mas fiquei com uma ideia, que sei que vai ser polémica, mas que quero partilhar com os leitores. Queirós com um pulso firme e com jogadores com cabeça e que sintam a camisola (grande Eduardo, Coentrão, Bruno Alves...) tem todas as condições para continuar. É preciso que nós e os jogadores o ajudem. Todos temos a ganhar...

PS: Por mim Ronaldo volta à Selecção. Mas so depois de pedir desculpa. Vai-lhe fazer bem descer o ego à terra... Faz-nos falta o Ronaldo da foto, o Ronaldo que sentia que podia ser o melhor do mundo na NOSSA SELECÇÃO...

sábado, 26 de junho de 2010

Mundial 2010: um palco onde se testam os melhores


O melhor profissional no mundo em qualquer profissão tem que ser alguém que domine o seu ofício como ninguém. Alguém que perante circunstâncias adversas e em novas situações consiga adaptar e despontar o seu incomparável talento diferenciando-se dos demais, mesmo sob as condições mais intensas de pressão.

Um campeonato do mundo é um cenário perfeito para testar os candidatos a melhor jogador do mundo. Independentemente de na África do Sul ser Inverno, se jogue ou não em condições de altitude exageradas, se a nova bola Jabulani é melhor ou pior, se é insuportável o irritante som das vuvuzelas, o melhor jogador do mundo terá que lutar contra todas estas adversidades e mesmo assim destacar-se e empurrar a sua equipa para as vitórias.

No entanto, a adaptação mais importante e determinante que um jogador de futebol terá que fazer é a sua adaptação a uma nova equipa, a um novo grupo de trabalho, a um novo treinador e a uma nova ideologia táctica. A enorme disparidade de rendimento do Cristiano Ronaldo ao serviço de um clube e de uma selecção é por demais evidente que há qualquer coisa que falha em Ronaldo para ser considerado definitivamente como o melhor jogador do mundo. Já Messi, consegue de alguma forma atenuar muitas vezes esta disparidade, sendo no entanto muitas vezes criticado por não ser tão influente na selecção Argentina.

Não será difícil de concluir da minha parte que o verdadeiro candidato a melhor do Mundo desta vez será Maicon. Num ano em que um jogador ganha tudo que havia para ganhar a nível de clubes, e mesmo assim consegue para já manter os seus índices de rendimento ao serviço de uma selecção que se afigura como um dos principais condidatos ao título mundial é obra. Para além disso, o prémio a Maicon seria um verdadeiro reconhecimento da importância cada vez mais preponderante que a posição de lateral tem assumido no futebol moderno.

Por fim, afastando-me um bocadinho do tema, gostaria de destacar o verdadeiro fiasco que está a ser a iniciativa da FIFA em atribuir o poder de decisão sobre o melhor jogador em campo aos visitantes do seu site. Algumas escolhas absurdas que temos visto para MVP claramente são uma prova que o excesso de democratização permitido pela Internet pode levar a decisões irracionais e sem sentido.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Acham que sabem jogar?

23 jogadores, de Nacionalidade francesa, candidataram-se recentemente a um concurso realizado na África do Sul denominado “Acham que sabem jogar?”

O concurso era organizado por uma entidade que pouco percebe de futebol, mas muito de negócios, mais preocupada em ganhar milhões do que garantir espectáculo; mais preocupada com os patrocinadores do que com a segurança de adeptos, jornalistas e até os participantes no concurso.

Juntamente com este grupo, participam no concurso outros grupos de 23 candidatos, sendo que todos têm que ser da mesma nacionalidade – regra básica do concurso.
Supostamente todos os grupos têm um líder, acontece que os franceses não o tinham. Aquando da realização de cada prova, que dura 90m, nunca mostraram ser uma equipa, apresentando uma dose intratável de individualismo e falta de crença e ambição.

No primeiro teste pensava-se que eram os nervos iniciais mas o segundo e o terceiro testes revelaram-se ainda piores. Pelo meio, os concorrentes recusaram-se a treinar e no último dia, (dia da última prova) alguns recusaram-se inclusive a participar.
Como devem perceber, não passaram a primeira fase do concurso, regressaram ao seu país onde foram crucificados pela imprensa tendo inclusive o Presidente solicitado uma reunião com o capitão do grupo de concorrentes.

Auto intitularam-se de favoritos, apuraram-se com irregularidades, com uma mão escandalosa do seu capitão, mas quando chegou a hora de puxar dos galões, mostraram ser um grupo fraco, ao nível dos piores, sem um líder e com participantes que não souberam honrar nem o país que representavam nem a sua própria imagem e orgulho.
Face ao ridículo em que caíram, resta-lhes continuar a tentar para o próximo “Acham que sabem jogar?” a realizar em 2014.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Apreciações e expectativas: versão 2010/2011

Em tempo de Mundial todos nós temos descurado um pouco os clubes nacionais e, curiosamente, essa “ocupação” de todos tem-se reflectido no menor número de nomes lançados pela comunicação social como reforço dos diversos clubes. Até para desanuviar um pouco deste ambiente tenso que o Mundial origina, vou tecer algumas considerações sobre o que esta pré-pré-época nos tem revelado.

Comecemos pelo Benfica. Se o clube foi capaz de quebrar a malapata e o jejum dos últimos anos no que diz respeito à conquista do título de campeão nacional, não me parece estar a ser capaz de contrariar a tendência de insatisfação de alguns jogadores quando a época acaba. Cardozo e Luisão são exemplos notórios. Ainda que a perda de Di Maria se venha a verificar considero que o clube se precaveu de forma antecipada e adequada, revelando perspicácia que não lhe era reconhecida anteriormente. Parte, a meu ver, como candidato número 1 uma vez que mantém treinador, estrutura táctica e certamente grande parte da espinha dorsal da equipa.

O vice-campeão nacional Braga tem prosseguido nesta pré-pré-época com uma estratégia já mantida nos últimos anos – contratar jovens jogadores com grande potencial a um preço acessível (casos de Collado e Echiejile), conjugando com a aquisição de jogadores já adaptados ao campeonato nacional que tenham demonstrado ao serviço de outros clubes capacidades mais que notórias (casos de Salino, Keita e mesmo Lima). A manutenção de Domingos e a aquisição de Quim constituem-se como dois grandes trunfos. Todavia, para bem do futebol nacional, espero que às saídas de Evaldo, Eduardo, H.Viana e Luis Aguiar não se venham a juntar outros como Alan. Espera-se um Braga competitivo e para isso não pode desfazer-se dos seus melhores jogadores.

O FCPorto teve uma época à qual já não estava habituada e, como é habitual, o treinador foi o mais responsabilizado. Considero a aposta em AVB simultaneamente arriscada mas algo que era necessária já que parece querer fazer uma ruptura no futebol por vezes demasiado calculista do antigo treinador. Parece querer estar a impor as suas ideias e isso já se tem vindo a reflectir em pequenos detalhes como as chamadas de Ukra, Castro e André Pinto, bem como na contratação de Souza, um trinco que segundo descrições que chegam, não se limita ao processo defensivo da equipa. Auguro bom futebol, ideias novas e talvez alguns erros por parte de AVB no seu processo natural de crescimento. A ver vamos se essas falhas não poderão ser comprometedoras.

Também o Sporting viveu alterações na sua equipa técnica. Paulo Sérgio dá sinais de ser capaz de marcar uma ruptura no tipo de treinadores que têm passado pelo clube, conjugando o melhor dos dois últimos. Alia um discurso directo, frontal e é disciplinador (características de Paulo Bento) a conhecimentos tácticos reconhecidos nos clubes por onde tem passado (Carlos Carvalhal). Tudo parece estar bem delineado na cabeça do novo treinador e a recente entrevista é sinal disso mesmo. A contratação de Maniche permitirá transmitir a experiência que o clube bem necessita e sobretudo numa zona do terreno onde a juventude predomina. O estigma de ser um clube há muito no “quase” tem que sair da cabeça dos jogadores e essa é a principal alavanca que o clube necessita para estabilizar nas conquistas.

E o leitor, que palpites tem?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

O esperado ou uma desilusão?


A segunda jornada do Mundial está quase no fim e gostaria aqui de fazer com os nossos leitores um balanço do que foi o Mundial até agora. Tanto nos aspectos desportivos como nos aspectos extra-desportivos, que cada vez mais são inerentes a competições desta envergadura.

Olhando para os resultados, salta a vista a falta de uma selecção dominadora que tenha jogado e convencido. Itália, Espanha falharam redondamente nos primeiros jogos. A Alemanha convenceu no primeiro, desiludiu no segundo. As selecções sul-americanas (Brasil, Argentina e Uruguai) e a Holanda vão ganhando sem serem brilhantes, sendo o Uruguai talvez a meia-surpresa da prova. Portugal joga hoje uma cartada decisiva. As outras selecções vão fazendo pela vida. Até agora tem sido um Mundial abaixo das minhas expectativas, mas acho que com a 3ª jornada e as eliminatórias isto vai mudar e a qualidade vai aumentar.

Por falar em qualidade, tinha de falar na qualidade que os guarda-redes africanos têm apresentado neste mundial. Dantes, faziam apenas valer-se pelo seu tamanho mais do que pela técnica. Agora, o guarda-redes africano faz-se valer da sua genética que lhe permite ser maior que os outros e de uma técnica cada vez mais trabalhada para se afirmar um valor seguro a defender a sua baliza. O expoente disto tem sido Vicent Enyeama, guardião da Nigéria, que tem rubricado excelentes exibições.

Fora de campo, não posso deixar passar em branco a selecção francesa. Esquecendo a forma como foram qualificados para este Mundial, resolveram ainda "ajudar mais à festa" tornando-se a chacota do mundial com actos de indisciplina, expulsões, acusações e demissões. Que bem que estaria a Irlanda nesta competição por vez dos gauleses...

Gostaria também de fazer um reparo a Deco. Um jogador com aquela experiência sabe que numa competição desta não pode ter aqueles desabafos para a imprensa. A moral da selecção e dos adeptos anda na corda bamba, não são precisas mais achas para a fogueira...

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mundial 2010: Apreciações


Após uma primeira ronda do mundial recheada de calculismo e cautelas de grande parte das equipas, acabo de ver a Argentina trucidar uma Coreia do Sul impotente com um sorriso nos lábios. Jogadas de ataque bem desenhadas, um futebol ofensivo intenso e uma liberdade criativa dos talentos naturais que são Messi, Tévez, Higuain e Di Maria do plantel argentino são uma quebra da monotonia e da rigidez táctica que tem estado presente nestes primeiros jogos da mais importante competição de futebol do mundo. Depois disto, só posso ver a Argentina de Maradona como uma lufada de ar fresco e um pequeno reviver de velhos tempos de quando o futebol não era tão científico e era em muito guiado pela fé e moral transmitida por líderes de personalidades "loucas" e carismáticas.

Já sobre Portugal, apenas uma palavra: confirmação. Confirmação de que há muito que não há uma personalidade no estilo de jogo da selecção portuguesa, de que não há planos alternativos a utilizar em pleno jogo (Liedson jogou o jogo todo sozinho na frente completamente anulado e nada se fez), de que não há confiança no treinador, e mais preocupante ainda de que o "líder" Queiroz continua com um discurso de vítima perante um jogo considerado mau por parte de todos que o viram.

Por outro lado, pudemos verificar que a máquina alemã continua bem calibrada e sólida mostrando-se como um dos favoritos a conquistar o troféu, mas iremos ter oportunidade de comprovar esse facto agora perante um adversário de nível mais ameaçador que é a equipa Sérvia e que se encontra bem apetrechada em termos de jogadores.

Uma desilusão já esperada por muitos: a França. Com um plantel recheado de potencialidades pelos menos a meu ver, foi certamente doloroso para os adeptos franceses testemunhar a falta de atitude e organização da equipa cujos jogadores tem mostrado rendimentos incrivelmente abaixo daquilo que fazem nos clubes, tendo Domenech muitas culpas no cartório.

No Mundial ainda só vamos no início, muitas surpresas virão ainda, só nos resta continuar a acompanhar um dos eventos mais bonitos do mundo (agora muito mais bonito com o som das vuvuzelas filtrado pelos diversos canais televisivos).

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Mago ou mito?


Podia falar de vuvuzelas, de frangos, da África do Sul, dos assaltos ou do poderio alemão… Podia falar do Ronaldo, da lesão (?) do Nani, da recuperação que afinal só demora uma semana, do talento de Ji-Sun-Park ou até da pancadaria nos treinos de África do Sul e Brasil…

Mas, prefiro falar de algo que um dia o meu grande amigo e camarada Cacha escreveu, começando exactamente com o título que ele começou: mago ou mito?

Escrevo, tal como ele, sobre Ricardo Quaresma.

Próxima paragem: Besiktas.

Cada vez custa mais a acreditar que poderá ser um grande jogador. Cada vez custa mais a acreditar que não passará de um simples malabarista que tem um enorme talento nos pés mas que nunca será capaz de triunfar num campeonato mais exigente que o nosso, de ser capaz de ultrapassar as limitações que o seu feitio demasiado introvertido implicam, de ter personalidade suficientemente capaz de se adaptar a outro país que não Portugal, enfim, de ser um grande jogador.

Começa a ser tarde, cada vez mais tarde, para acreditar que Quaresma poderá ser um grande jogador. Depois dos falhanços em Milão, Inglaterra e Espanha, vai jogar para o 4º classificado da Turquia, sem possibilidade de disputar a Champions. Torna-se difícil perceber duas coisas: o que quer para a sua vida (excluindo os milhões da parte económica, obviamente…) e como tenciona chegar (não vou usar a palavra voltar, pois para mim, nunca esteve no topo do futebol europeu…) à ribalta do futebol europeu.

A Seleccção é cada vez mais uma miragem e, com todo o respeito por todos os outros treinadores, se nem Mourinho fez dele jogador, quem vai fazer? Não basta ter talento e fazer coisas bonitas nos treinos, é preciso mais, muito mais…

Por isso, deixem passar o mito que o mago nunca existiu…