
Pairava a confiança de que o Benfica se tinha transformado numa máquina devoradora, praticante de um futebol único e exclusivo que toda a Europa ainda desconhecia. Havia um sentimento que ali estava criada uma equipa especial, uma conjunção extraordinária de factores favoráveis que tudo junto no fim só poderia dar vitórias e feitos impensáveis. Finalmente o Benfica voltara a ter uma identidade única na Europa. Um plantel forte, repleto de soluções, um treinador super confiante, um futebol imparável e único que conseguia aliar transições ofensivas estonteantes, uma pressão alta de qualidade e uma defesa estável e extremamente competente. Todas as jornadas do campeonato faziam relembrar o poderio da máquina imparável que criava um sentimento de luta desigual. Enfim, o Benfica poderia defrontar qualquer equipa no mundo olhos nos olhos. Era agora…
No Stade Vélodrome, em Marselha, havia já um sentimento de certeza que o Benfica iria ultrapassar a equipa francesa. Um golo de Niang fez vacilar os mais cépticos, mas a verdadeira máquina encarnada não poderia ser eliminada assim tão facilmente. Assim já havia o pressentimento que a magia vitoriosa pairava no ar, magia esta materializada por Maxi Pereira e mais tarde num golo de último minuto por Kardec, que fez toda a gente acreditar que ali havia de facto a estrelinha de campeão. Era agora….
Na passada segunda-feira, a Naval deu ar de sua graça ao iniciar a partida com 2 golos inesperados, no entanto já muita gente sabia por dentro que o jogo estava tudo menos descontrolado, os adeptos não pararam de apoiar a equipa, o Benfica continuou a ser o novo Benfica a funcionar e antes da primeira parte já se tinha dado a volta. Tranquilo. Era agora….
Finalmente chega o jogo de Anfield Road, uma verdadeira final antecipada. Um jogo onde o Benfica iria mostrar à Europa o seu futebol inovador e o seu poder até então desconhecido nos grandes palcos, e se iria afirmar como um dos grandes. Mas algo não correu bem. Iniciando o jogo com alterações na frente e mais significativamente na defesa, surgia talvez um prenúncio de que algo seria diferente esta noite. O Benfica em prolongadas fases de jogo não foi o novo Benfica, assumindo de início uma estratégia mais cautelosa, mantendo levemente adormecida a máquina devoradora que tanto queria mostrar à Europa. Foi um Liverpool determinado e repleto de experiência que tirou o clube da Luz do patamar dos sonhos. No fim, toda a gente caiu em si, o Benfica de repente voltou a ser um clube pertencente a um campeonato pequenino pertencente a um país pequenino. Mas foi talvez por um pequeno desvio na bola que talvez o sonho não tenha continuado.
Para o ano os grandes palcos regressarão e voltar-se-á a sonhar, mas as máquinas devoradoras não são eternas.